Livro: Trilogia A Mão Esquerda de Deus

Por Davi Paiva

 

Olá, pessoal. Tudo bem? Espero que sim.

Não vou mentir para vocês: títulos pomposos, capas “modafócas” e um pouco de “rádio leitor” vendem livros. E foram esses três fatores que me levaram a adquirir o primeiro livro da série, A Mão Esquerda de Deus (The Left Hand of the God, 2010, Paul Hoffman, Ed. Suma de Letras). Quando o adquiri, pensei três coisas a respeito dele:

  1. “Que capa animal!”
  2. “Que título bom!”
  3. “Ouvi falar que tem algo a ver com Harry Potter! Será?”

Dos três pensamentos só o primeiro provou estar errado. Eu não sei até hoje onde vi a comparação do trabalho de Hoffman com o da J.K. Rowling, mas repito: uma coisa não tem nada a ver com a outra.

O autor, Paull Hoffman

O autor, Paull Hoffman

A história do livro se passa na Terra em uma realidade alternativa onde o filho de Deus foi enforcado e não crucificado, assim como terras bem mescladas (uma hora eles estão no Mississipi, importante rio dos EUA. E em outra, na Suíça) e conta a história de Thomas Cale, um garoto que nem sabe a própria idade (14 ou 15 anos) e vive no Santuário do Redentor Enforcado onde é treinado nas artes de combate e estratégia militar com vários outros garotos. Cale é considerado um prodígio e não possui muitos amigos, mantendo diálogos com só outros dois garotos no Santuário: Kleist e Henri Embromador. Um dia Cale presenciará um fato que vai mudar a sua vida e vai obrigá-lo a sair do Santuário, onde passa a viver diversas situações.

Agora vamos a um raio X do três livros.

Livro 1: A Mão Esquerda de Deus (The Letf Hand of the God).

Ano de publicação: 2010.

Comentário pessoal: gostei. Tudo bem que comprei esse livro inicialmente pelos seus atrativos comerciais. Contudo não só é uma obra que serve como um divisor de águas para pessoas como eu que estão cansadas de ler sobre adolescentes lutando guerras contra adultos e criaturas enfrentadas originalmente por homens (pois mesmo Cale e seus amigos sendo extremamente habilidosos, lidam com os podres do mundo acumulando ganhos e perdas) como também ajuda a preparar um leitor para obras mais adultas e complexas.

 

Livro 2: As Últimas Quatro Coisas (The Last Four Things).

Ano de publicação: 2011.

Comentário pessoal: as andanças de cada personagem mostram uma grande evolução na vida de cada um e principalmente pela complexidade da personalidade de Thomas, você fica sem saber se o rumo que ele toma será aquele que o levará ao fim da história. Uma hora você crê que ele vai comandar um mega exército, outra hora ele é obrigado a montar um e bem mais para frente pega um segundo grupo, mescla com o primeiro e passa a lutar contra aqueles que o criaram! Incrível…

 

Livro 3: O Bater de Suas Asas (The Beating of His Wings)

Ano de publicação: 2013.

Comentário pessoal: gostei muito desse livro, pois nele há mais um parecer de que é preciso duas coisas para se criar uma lenda: fatos e pessoas que acreditem neles de um modo mitificado. Thomas Cale ganha um status ainda maior do que tinha em As Últimas Quatro Coisas e tudo isso sem um poder extraordinário como um Eragon ou um Percy Jackson. Apesar de suas perícias, Cale se mostra um humano perturbado e fragilizado não só pela sua criação como os atos que sofreu desde que saiu no Santuário. Os desfechos são satisfatórios e a única coisa que eu particularmente não gostei foram as notas iniciais e de encerramento como se quisessem dizer que o livro tem base em uma realidade existente.

 

Os livros da série A Mão Esquerda de Deus em ordem de lançamento e leitura.

Os livros da série A Mão Esquerda de Deus em ordem de lançamento e leitura.

Os outros autores deste blog, Fernando “Oneiros” Loiola e Rafael “Lionheart”, têm uma certa pré disposição a não ler obras de Escolhidos (os famosos “chosen one”) porque acreditam que a vida deles é sempre mais fácil, com pistas caindo do céu e que eles possuem habilidades extraordinárias que os equiparam aos seus inimigos, mais velhos e veteranos de guerra. Tudo bem que Cale possui um certo “poder” muito bacana para combates (não vou dizer qual. Mas aviso que não é nada que envolva magia). Só que diferente de muitos bruxos e semideuses por aí, ele não é uma pessoa que tem momentos de felicidade e se pode ver sorrindo em qualquer uma das três obras. O Anjo Exterminador (uma de suas alcunhas) sofre tanto fisicamente quanto psicologicamente pelo treinamento que passou e pelos traumas adquiridos em envolvimentos sociais e amorosos. Vendido pelos pais por seis centavos, treinado em combate desde criança, presenciando cenas horrendas e sendo traído pela única pessoa que amou sem em momento algum ser convencido de que era A Mão Esquerda de Deus deixou seqüelas graves em sua psique que repercutem em seu estado de saúde.

Indicado para quem: gosta de histórias sobre religião, Terras alternativas, guerras e queira fazer uma divisão do infanto juvenil para o adulto (a obra mescla as duas coisas, entre garotos e violência ou sexo não explícito).

Obrigado a todos.

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