Livro: Crônicas dos Kane

Por Davi Paiva

 

Oi, pessoal. Tudo bem?

Às vezes um autor vende o livro pela sua qualidade literária. O seu estilo de escrever nos atrai ainda que um trabalho seja melhor que o outro. E o que me levou a ler a série Crônicas dos Kane de Rick Riordan (Ed. Intrínseca) é algo bem óbvio: o fato de eu ser um leitor da saga de Percy Jackson.

O autor, Richard Russell ''Rick'' Riordan, Jr.

O autor, Richard Russell ”Rick” Riordan, Jr (sempre ele!).

A aquisição dos livros foi em doses bem homeopáticas: lembro que os dois primeiros eu adquiri em trocas no centro da cidade e o terceiro foi o único que comprei em uma livraria. Todavia só fiz a leitura depois de ver que todos saíram e ter todos em mãos. Assim não precisei esperar pelas continuações nem depender de um tempo livre para comprar.

Para quem não conhece, a série Crônicas dos Kane conta a história dos irmãos Carter e Sadie, dois jovens que só se veem duas vezes por ano (o garoto é criado pelo pai, um egiptólogo que viaja muito pelo mundo enquanto a garota é criada pelos avós maternos em Londres) e graças a uma experiência mágica do pai eles vão embarcar em uma jornada pelo mundo da mitologia egípcia em cenário atual envolvendo magos, deuses e babuínos jogadores de basquete (??).

Os três livros das Crônicas dos Kane: A Pirâmide Vermelha, O Trono de Fogo e A Sombra da Serpente

Os três livros das Crônicas dos Kane: A Pirâmide Vermelha, O Trono de Fogo e A Sombra da Serpente

Vamos a um raio X dos livros:

            Livro 1 – A Pirâmide Vermelha

            Ano de publicação: 2010.

            Resumo: no primeiro volume conhecemos os personagens principais e seus aliados. Também é revelado como funcionam os seus poderes e quem será o verdadeiro inimigo.

            Avaliação: é um primeiro livro bem típico de literatura infanto juvenil e uma fórmula de Harry Potter e Percy Jackson: faça o personagem conhecer o mundo e consequentemente os leitores também conhecerão, além de apresentar um inimigo e outro ainda maior. Pode chamar de clichê, mas dá certo.

 

            Livro 2 – O Trono de Fogo

            Ano de publicação: 2011.

            Resumo: os irmãos Kane agora procuram não só comandar o 29º nomo e o aprendizado dos novos magos como também têm que lidar com a missão deles, além de outras missões pessoais (como a de Carter em busca de sua amiga/namorada que conheceu no primeiro livro, Zia Rashid).

            Avaliação: creio que nesse livro Riordan mostra que é exatamente um escritor que escreve “livros para vender (não gosto muito desse termo. Pois todo livro é feito para vender e a compra é opcional. Ninguém aponta armas para os compradores na livraria)” e sim que ele procura agradar a gregos e troianos (engraçado falar isso de um livro que apresenta mitologia egípcia) colocando em um só livro o essencial para um livro infanto juvenil para garotos (com uma aventura e um guerreiro escolhido) e também para garotas (ser o foco de um triângulo amoroso de dois personagens considerados atraentes pela garota. Estou sentindo um cheiro meio… crespuscular nessa história, se é que me entendem).

 

            Livro 3 – A Sombra da Serpente

            Ano de publicação: 2013.

            Resumo: no último livro, os irmãos Kane e seus aliados lutam para impedir o fim do mundo, além de ajudarem um deus antigo a se reerguer definitivamente.

            Avaliação: uma coisa tenho que admitir: R. Riordan sabe criar uma batalha final épica. Idas e vindas pelo Duat além de um monte de um monte de situações em que os personagens passam torna o final muito interessante. Não dá para dizer “eu esperava mais” porque tudo está ali.

 

Especial – O Filho de Sobek

Observação: não possui impresso.

Resumo: nele temos o encontro de Carter Kane com Percy Jackson (preciso dizer mais???).

Avaliação: ao ler o volume 1, o tio de Carter e Sadie diz que Nova York é o lugar de outros deuses assim como no volume 2 Carter alega ter visto um “cavalo voador” perto do Empire State e no volume 3, Sadie vai a um baile e conhece Drew, a ex-líder do chalé de Afrodite no Acampamento Meio-Sangue. Ou seja: Riordan queria deixar claro que as histórias dos Kane e de Percy se passavam no mesmo mundo. E considerando que eles vivem na mesma cidade… uma hora um encontro era inevitável. O que gostei é que tal ato teve um ligeira briga e desconfiança de ambas as partes. No fim Carter deixa uma magia na mão de Percy e diz:

“— Apenas diga meu nome — eu disse a ele, — e eu vou ouvi-lo. Eu vou saber onde você esta, e vou encontrá-lo. Mas só vai funcionar uma vez, então tome cuidado”

Creio que muitos fãs esperam por tal encontro no último livro da série Os Heróis do Olimpo, certo?

Então só nos resta aguardar…

 

Avaliação total: mais “chosen one”, impossível.

Carter e Sadie têm descendência de ambos os pais em famílias de magos antigas e poderosas e a história deles é bem semelhante à da mitologia egípcia. Logo não é a toa que eles adquirem um incrível poder que abdicam no primeiro livro. Mas sejamos francos: bem que eles fazem uso nos demais livros quando precisam…

Como eu disse, é uma obra que surpreende tanto pelo tamanho (3 volumes) quanto por criar ambientes de identificação entre meninos e meninas, assim como o entrelace que dá com a saga de Percy Jackson. Segundo o que ouço por aí tal encontro acontecerá no último livro de Heróis do Olimpo… só que não vou botar a mão no fogo. Quem leu o meu artigo sobre O Herói Perdido sabe o quanto fiquei surpreso ao ver que a saga de Percy Jackson não havia acabado.

 

Obrigado a todos(as).

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Livro: Fábulas do Tempo e da Eternidade

Por Davi Paiva

 

Confesso que achei um pouco triste o dia em que conheci a autora e a obra. Era uma sexta-feira, 13 de dezembro de 2013 quando a Tarja Editorial fez uma liquidação de seus livros depois de declarar o fechamento de suas portas.

Como escritor nacional, sei o quanto é difícil encontrar uma editora brasileira que dê oportunidades a autores nacionais e fui para lá na esperança de comprar livros de antologias steampunk e/ou cyberpunk. Contudo ao ver aquele pequeno livro, fiquei um pouco atraído. E qual foi a minha surpresa ao saber que a autora Cristina Lasaitis estava no local e se dispôs a tirar minhas dúvidas e após a compra, me deu o privilégio de autografar o meu exemplar e ainda tirar uma foto comigo. Simplesmente demais! E depois tem gente por aí que não concorda em aparecer em eventos do próprio livro. Novamente o meu lado escritor dá um pitaco para dizer que todos nós temos uma vida pessoal corrida. Por outro lado aparecer em eventos, dar palestras e ir a feiras de autógrafos é algo que o escritor precisa fazer sempre que tiver condições. Isso não só o ajuda em seu lado comercial como cria vínculos de autor e apreciador de seu trabalho. Não é mesmo?

A autora, Cristina Lasaitis

A autora, Cristina Lasaitis

O livro Fábulas do Tempo e da Eternidade (Cristina Lasaitis, 2008, Tarja Editorial) é uma coletânea de 12 contos sobre ficção científica bem hard. Fala de experiências com realidade virtual, física, viagens temporais, misticismo, anjos caídos e elementos de informática como biochips e inteligência artificiais de um modo que não condiz com o formato do livro. É como se ao abrir um pequeno volume liberamos um jorro de informações que estavam lá presas por correntes.

Comecei a leitura em janeiro de 2014 e escrevo esse artigo no mesmo dia em que a terminei. Abaixo vocês podem ver uma entrevista que faço com a autora. Desde já, digo que é um grande privilégio como autor de um blog simples poder ter atenção de uma autora e que ela conceda alguns minutos para responder a uma entrevista.

            EAM: vamos começar sobre a sua formação como escritora: quais obras leu que a ajudaram a escrever tão bem, quais cursos ou oficinas você fez e quem foram seus grandes professores para chegar até aqui.

Cristina: Em primeiro lugar, obrigada pelo “escrever tão bem”. O esforço que desempenhei e os bons conselhos que recebi na última década, quando decidi me voltar à literatura, contribuíram muito, certamente, mas acredito que a educação que recebi a vida toda foi importante para me formatar e me dar conteúdo como escritora. Não sou uma leitora voraz de ficção desde pequena, mas desde aquela época estudava bastante, me interessava por ciências, tive a oportunidade de cursar boas escolas e hoje percebo que ter essa base fez toda a diferença – embora só isso não fosse o suficiente. Quando resolvi que queria escrever um romance, há dez anos atrás, percebi o quanto era difícil colocar uma história no papel; eu era muito inexperiente e me sabotava com meus erros. Percebi que precisava me tornar uma escritora para conseguir contar a história que queria. Comecei pelo começo: passei a estudar literatura, ler muito e sobre tudo, fui fazer oficinas, comecei a treinar minhas habilidades narrativas com contos. Esse é o começo que recomendo a todas as pessoas que sonham em ser escritores de ficção. Não digo que tive “grandes professores”, mas sempre é útil ler, ouvir e prestar atenção no que tem a dizer os escritores muito mais experientes e premiados que você.

 

            EAM: como surgiu a ideia de produzir o livro? Ele é uma coletânea de seus trabalhos em outras antologias ou já era um projeto que você tinha em mente e que os editores (Richard Diegues e Gianpaolo Celli) resolveram investir?

Cristina: Eu tinha começado a treinar minha escrita com contos – alguns que publiquei em um blog criado pelo Richard Diegues, numa espécie de vitrine literária/ oficina de escrita. Um ano depois eu percebi que podia juntar os melhores textos, escrever mais alguns e compor uma coletânea. Foi assim que surgiu o Fábulas do Tempo e da Eternidade. Foi praticamente o primeiro livro de autoria exclusiva lançado pela Tarja em 2008 (juntamente com o Kara & Kman da Nazarethe Fonseca), e ganhou uma segunda edição mais bonita em 2010.

Edição de 2010 do livro Fábulas do Tempo e da Eternidade

Edição de 2010 do livro Fábulas do Tempo e da Eternidade

            EAM: conte-nos um pouco sobre a produção do livro: quanto tempo levou? Você tinha muitos auxiliares pesquisando coisas sobre física quântica ou civilizações incas? Quais foram as reações dos leitores beta [leitores que leem o livro antes dele ser publicado. Às vezes apontam erros ortográficos e/ou de pontuação e falhas na narrativa]? E os editores?

Cristina: A produção dos contos levou cerca de um ano; as postagens no blog eram mensais e eu me obrigava a produzir ao menos um conto por mês. Confesso que eu era mais livre quando entendia ainda menos de física quântica e outras matérias “hard”, sobre as quais escrevia sem muitos pudores… Se fosse hoje eu não teria produzido alguns daqueles contos, ou eles seriam bem diferentes. Alguns contos tinham sido publicados previamente num blog, e a opinião dos leitores me ajudou a aprimorá-los para o livro. Ainda assim, antes da publicação, substituí dois contos de última hora – uma decisão que tomei por conta do “efeito-gaveta” (percepção que você cria da obra depois de um período de distanciamento). O conto que fecha o livro, Meia-Noite, foi concluído na madrugada do dia combinado para que eu enviasse a versão final.

 

            EAM: como foi a reação de parentes e amigos quando lançou? Houve crítica positiva e/ou negativa? Outras pessoas que nem conhecia entravam em contato com você para dizer o que achavam?

Cristina: Fiquei feliz porque o lançamento contou com a presença de mais gente do que eu esperava. A repercussão do livro ficou maior quando foi resenhado na revista Carta Capital pelo Antonio Luiz M.C. Costa, a partir de então comecei a receber contatos do Brasil inteiro; gente que queria comprar o livro, pedir autógrafo, trocar figurinhas… E foi muito interessante ouvir a opinião dos leitores, saber quais eram as histórias que eles mais gostavam, quais menos gostavam, quais delas gostariam de ver transformadas em romance… Também passei a exercitar com bastante atenção o ouvido para as críticas, pois em muitos casos elas são feitas com razão.

 

            EAM: um livro solo é um sonho de qualquer contista. Como se sentiu e como se sente até hoje? O que mudou de lá para cá?

Cristina: De certo modo foi um divisor de águas na minha vida, pois antes disso eu me entendia como escritora amadora, e desde então eu passei a me considerar – e a me cobrar uma postura de – profissional. Não apenas o livro que publiquei, mas todo o universo literário e artístico que o acompanha foi decisivo na minha vida, pois ela mudou totalmente: fiz a transição completa da carreira de pesquisadora biomédica para a dedicação exclusiva na área editorial. Não enriqueci, não fiquei famosa nem popular, nem sequer saí da casa dos pais… Mas me sinto feliz e otimista trabalhando com literatura.

 

EAM: você ainda colhe frutos desse trabalho?

Cristina: Embora eu não tenha publicado outros livros nesse tempo, o Fábulas ainda desperta interesse nos leitores e me abre algumas portas no mundo editorial, seja como escritora ou revisora/preparadora.

 

Cristina me dando o privilégio de um autógrafo...

Cristina me dando o privilégio de um autógrafo…

            EAM: dos contos publicados nessa antologia, o que mais gostei foi o quinto, Assassinando o Tempo. Toda a física nele me pareceu realista e todo o sufoco que a protagonista passou para construir o aparelho ficou bem calcado na realidade. E você, qual dos doze foi o que mais gostou de ver escrito e por qual motivo?

Cristina: Eu sou a pessoa mais suspeita do mundo para avaliar, eu gosto de todos. Mas tem alguns contos que permanecem muito vivos na minha cabeça, pois há o projeto de transformá-los em romance.

 

            EAM: ainda sobre o quinto conto, certa vez li em um artigo da Revista Língua Portuguesa que alguns autores escreveram sobre coisas que mais para frente se tornaram realidade. Como se sentiria se soubesse que daqui a 50 anos ou mais o aparelho construído por Claudia Mansilha seja construído?

Cristina: Já dei um chute certeiro uma vez e fiquei muito surpresa, pois era uma ideia despretensiosa. O primeiro conto que publiquei, O Homem Atômico, tratava de um programa nuclear brasileiro do governo Geisel – uma ideia totalmente fictícia para mim. Quando escrevi simplesmente pensei que, dos nossos generais da ditadura, o Geisel foi o que mais gostava das obras faraônicas; logo, nada mais natural que ele fosse o padrinho de um programa nuclear brasileiro, caso houvesse um. Qual foi minha surpresa quando, meses atrás, abri o Estadão e me deparei com a notícia de que o Geisel realmente pensou em desenvolver um programa nuclear!

Quanto ao Correio do Não Tempo da Cláudia Mansilha, imagino que é um chute bastante fictício, dada a gambiarra teórica formulada para o conto. Eu mesma não acredito que o futuro já esteja “escrito”. Mas… quem sabe haja uma forma de acessarmos o conteúdo do passado? O Philip K. Dick tem uma teoria muito interessante sobre como o universo poderia arquivar informações do passado (e parece que ele realmente acreditava nisso, segundo consta em suas biografias), quem sabe ele esteja certo e um dia consigamos acessá-las?

 

            EAM: outra coisa que gostei muito em seus textos é que eles são interligados. O aparelho de Assassinando o Tempo é usado como meio de comunicação em Os Parênteses da Eternidade, que mencionam os biochips usado pela protagonista de Meia-Noite assim como o trabalho dos personagens de Nascidos das Profundezas seja mencionado em Os Irmãos Siameses. Como surgiu essa ideia?

Cristina: Parabéns por ter notado, ninguém havia comentado isso antes. Algumas histórias se passam claramente em um mesmo universo (Além do Invisível e Meia-Noite, Nascidos das Profundezas e Irmãos Siameses, Assassinando o Tempo e Os Parênteses da Eternidade), mas há “objetos partilhados” e “passagens secretas” entre universos pouco aparentados. Coloquei alguns links que conectam os contos, e alguns são bastante sutis. Essa foi a forma que encontrei de dar coesão à obra enquanto coletânea de contos.

 

            EAM: eu considero esse livro como uma literatura hard de ficção, o que quer dizer que ele é um trabalho bem calcado bem complexo e equiparável ao de autores como Philip K. Dick ou Adouls Huxley. Acha que sendo autora nacional as pessoas podem dizer “não é preciso compará-la a nomes estrangeiros” ou dizer que você escreve no mesmo nível desses grandes mestres é não só um elogio como também uma forma de indicar o seu trabalho (se uma pessoa gosta do trabalho de Dick, poderá ler o seu e ter uma enorme chance de se divertir)?

Cristina: Eu agradeço a comparação e acho que preciso ainda fazer muita ginástica para ser digna de nota perto desses nomes… O Fábulas do Tempo e da Eternidade é um livro de literatura fantástica que puxa mais para a ficção científica, portanto creio que leitores que gostam de autores como Asimov, Clarke e William Gibson são o principal público-alvo. No entanto, o livro também tem um pouco de fantasia, e achei interessante que essas foram as histórias mais apreciadas por uma boa parte do público.

 

            EAM: a cena de sexo entre os personagens Asthariel e Cassandra em Caçadores de Anjos foi excelente. Foi uma boa forma descrever um método para um anjo perder a sua centelha e não ficou uma coisa explícita de se ler como um texto de Anaïs Inn. Lembro que certa vez emprestei o meu exemplar de O Chefão para uma amiga que mesmo sendo adulta e eclética, ficou impressionada com a descrição do autor nas cenas de sexo. Alguma pessoa reclamou seja por razões religiosas ou por tratar de um assunto que as pessoas ainda impõem tabus como sexo em uma antologia de contos de ficção científica?

Cristina: Que legal saber que você gostou. Hoje estamos vivendo um “boom” dos livros de fantasia, especialmente os direcionados para o público “young adult” – as fantasias juvenis – que tem como característica a “censura livre”, ou seja, romantismo adolescente e erotismo só em doses muito moderadas, pra não dizer homeopáticas. Livros nessa linha têm grande chance de entrar nos editais do governo, que são o grande filão do mercado editorial brasileiro: é por isso que as editoras estão procurando avidamente por material que se encaixe nesse modelo de literatura juvenil. Eventualmente penso em escrever algo que se enquadre nesse gênero, mas não pretendo fazer concessões para enredos que pedem uma abordagem agressiva e erótica, como é o caso dos Caçadores de Anjos. Cabe a cada autor dar à sua história as pinceladas que ela solicita e ao leitor, se informar sobre a obra que pretende consumir.

 

            EAM: muito obrigado pela sua participação. Gostaria de deixar alguma dica e/ou conselho para quem estiver lendo essa entrevista e queira um dia publicar um livro solo de contos?

Cristina: O primeiro conselho é que leia de tudo e estude muito, pois dessas coisas não há como se arrepender. E se estiver realmente decidido a ser escritor de ficção, arregace as mangas e treine bastante, persista, produza, discipline-se e procure sempre se manter informado sobre o mercado editorial.

Agradeço muito pela sua leitura e pela oportunidade da entrevista 🙂

... e ainda saiu em uma foto comigo! Uma pessoa sensacional!!!

… e ainda saiu em uma foto comigo! Uma pessoa sensacional!!!

Livro: série Artemis Fowl

Por Davi Paiva

 

Sou um leitor da “geração Harry Potter”, que acompanhou a grande explosão da literatura fantástica infanto juvenil (infelizmente de autores internacionais em maior parte) no Brasil. E é claro que nessa longa estrada da vida eu conheci muita gente que compartilhava do meu gosto literário e que por sua vez, me indicava obras similares. E sendo uma delas o outro autor do blog, JJ Posthumus, é claro que uma hora me indicaram a leitura da série Artemis Fowl (Eoin Colfer, publicado pela Galera Record). Na época os três primeiros livros da série já estavam impressos e agora que tudo acabou confesso que foi uma longa e divertida jornada de altos e baixos com uma surpresa aqui e uma risada ali.

Eoin Colfer, a mente (ardilosa) por trás da história

Eoin Colfer, a mente (ardilosa) por trás da história

Caso você não saiba do que estou falando, aqui vai um pequeno resumo: Artemis Fowl II é um garoto de doze anos e o último descendente da família Fowl, uma lendária família de criminosos da Irlanda. Um dia o seu pai resolve largar o mundo do crime e abrir uma indústria na Rússia. A máfia não gosta e explode o seu barco, deixando ao jovem a tarefa de gastar quase toda a fortuna da família procurando o pai enquanto a mãe está abalada. Com o dinheiro quase no fim o garoto tem a ideia de repor tudo com um sequestro. Mas não com uma pessoa qualquer e sim com uma fada (?). Ou se preferir, um leprechaun e exigir o seu pote de ouro como resgate (??). O que ele não contava é que a fada/leprechaun que ele sequestrou seria nada menos do que uma integrante de LEP, a Liga da Elite da Polícia do mundo das fadas, o que equivale a uma SWAT de lá (???). Dali em diante a vida de Artemis muda radicalmente e ele se vê em meio a conflitos com não-humanos e humanos às vezes como vilão, às vezes como herói e às vezes… como ele mesmo.

Aliados vão aparecendo na história além de seu mordomo Butler, um sujeito de mais de 2m de altura que quebra mão de batedores de carteira sem olhar para eles (!!!). Assim como inimigos e como eu disse, se até uma raça subterrânea aprende a temer o personagem principal… é claro que os humanos também aprendem mais cedo ou mais tarde que Artemis não pode ser subestimado.

Minha coleção dos oito volumes.

Minha coleção dos oito volumes.

Agora vamos a uma análise dos 8 livros (sei que a série possui um especial chamado Arquivo Artemis Fowl além de uma série de graphic novels. Contudo não os tenho e nem os li até o momento em que escrevo esse artigo):

 Livro 1: Artemis Fowl – O Menino Prodígio do Crime

Ano de publicação: 2001.

Resumo: no primeiro volume conhecemos o jovem, ardiloso e brilhante Artemis bem como acompanhamos o seu mirabolante crime de sequestrar a fada/leprechaun/elfo Holly Short e todos os contra-ataques da LEP rechaçados pelo seu planejamento ou a força bruta de Butler.

Avaliação pessoal: um primeiro livro excelente. Artemis não é um “escolhido” dotado de algum poder especial nem destinado a algo esplendoroso que vá salvar o mundo das forças do mal. Aqui Artemis É o mal em um ponto de vista maniqueísta e esse volume se destaca em meio a tantas obras infanto juvenis por ter tamanho diferencial.

 

            Livro 2: Artemis Fowl – Uma Aventura no Ártico

Ano de publicação: 2002.

Resumo: Artemis conseguiu o que tanto queria: confirmar que o seu pai está vivo. Mas para tirá-lo das garras da máfia, ele terá que lidar com uma rebelião no mundo das fadas.

Avaliação pessoal: depois do impacto do primeiro livro, confesso que fiquei um pouco decepcionado com esse por ser uma obra que retrata um Artemis que é obrigado a correr, pular e fugir de seus inimigos (uma prévia do que poderá ocorrer em outras obras). O que salva o livro é a lição de moral dele, bem como as situações engraçadas e os momentos que exigem o raciocínio rápido do personagem principal. Nesse livro temos a apresentação de Opala Koboi, uma duende/diabrete que será o que Voldemort foi para o pequeno bruxo de J.K. Rowling. Só que ainda mais letal.

 

Livro 3: Artemis Fowl  – O Código Eterno

Ano de publicação: 2003.

Resumo: Artemis criou um megacomputador Cubo V. E infelizmente ele caiu nas mãos de um empresário tão criminoso quanto ele. Agora ele precisa da ajuda do Povo das Fadas para recuperá-lo antes que a existência dos Elementos de Baixo (como são chamados o povo das fadas) seja revelado (algo que o computador é capaz de fazer).

Avaliação pessoal: esse livro uniu as qualidades dos dois primeiros livros e o trabalho ficou sensacional! Artemis sofre um grande golpe. Mas sua revanche é magnífica!

 

Livro 4: Artemis Fowl – A Vingança de Opala

Ano de publicação: 2006.

Resumo: Opala não só consegue escapar do presídio como também arma um plano que envolve mortes e intrigas! Cabe a Artemis & Cia. deterem os planos dela.

Avaliação pessoal: só o fato de haver a perda de um personagem tão carismático (não vou dizer qual é) já é um grande choque para os fãs da série. Maior do que a resolução do conflito entre Artemis e Opala é como o garoto recupera a memória (ele e Butler tiveram suas lembranças apagadas pelo Povo).

 

Livro 5: Artemis Fowl – A Colônia Perdida

Ano de publicação: 2007.

Resumo: nem todas as criaturas foram para o subterrâneo. Nesse livro conhecemos os demônios que colocaram a sua ilha em um espaço atemporal quando a guerra entre os humanos e os não-humanos estava pendendo para o lado dos primeiros. Artemis nota que eles estão voltando a aparecer em nosso mundo e se lança em uma empreitada contra essas criaturas.

Avaliação pessoal: creio que o grande forte desse livro foi a inclusão de novos personagens e as mudanças que ocorrem com os que já constam na história. Não digo que ele é ruim e sim um preparativo para o que está por vir…

 

Livro 6: Artemis Fowl – O Paradoxo do Tempo

Ano de publicação: 2009.

Resumo: a mãe de Artemis está morrendo e para curá-la é necessário uma enzima produzida por uma raça de lêmures extinta pelo próprio Artemis. Para salvá-la, o garoto terá que voltar no tempo e enfrentar um oponente frio e muito calculista: ele mesmo aos 10 anos.

Avaliação pessoal: incrível! Colfer não só fez um trabalho excelente falando sobre viagens no tempo como também faz uso de todas as informações nos livros e sempre surpreendendo o leitor com planos de vilões e contra planos excelentes!

 

Livro 7: Artemis Fowl – O Complexo de Atlântida

Ano de publicação: 2011.

Resumo: Artemis manifesta sintomas do Complexo de Atlântida, uma doença causada em humanos pelo seu contato com a magia do Povo das Fadas. Ao mesmo tempo um vilão causa problemas aos Elementos de Baixo e cabe ao protagonista detê-lo… ainda que abalado psicologicamente.

Avaliação pessoal: em minha humilde opinião, achei livro o mais fraco da série toda. Tudo bem que as pessoas gostam de ver um herói se reerguer, o que quer dizer que ele precisa cair. Entretanto a queda sofrida por Artemis nesse volume é decepcionante e o desfecho um pouco desagradável.

 

Livro 8 (final): Artemis Fowl – O Último Guardião

Ano de publicação: 2013

Resumo: Artemis está de volta! Infelizmente sua grande inimiga Opala Koboi também deu o seu jeito de voltar a ativa com um plano que envolve toda a destruição da raça humana libertando as almas de antigos guerreiros élficos chamados de Furiosos e o extermínio da raça humana.

Avaliação pessoal: com o desfecho para Opala, a história acaba como sempre foi: ação, aventura, humor e estratégia. Creio que os fãs mais “xiitas” podem alegar que ela poderia continuar com novos inimigos. Mas oito volumes já está de ótimo tamanho e o tal encerramento é algo digno de Artemis.

 

Como eu disse em outro artigo, aos poucos quero deixar de lado a literatura infanto juvenil até o seu próximo boom literário e nesse meio tempo, me dedicar aos clássicos de J. Verne, A. C. Doyle e outros trabalhos de autores nacionais que não escrevam no estilo que quero me ausentar. Mas assim como em A Mão Esquerda de Deus, vejo um diferencial nessa obra de um personagem que não nasce com dos extraordinários e nem é um escolhido pelo destino ou deuses a combater o mal. Ele muda o seu caráter e amadurece ao ponto de reconhecer o que é o certo, o errado e as ações do anão Palha Escavator, personagem também bastante divertido.

 

Obrigado pela leitura e espero que gostem dos livros!

Livro: O Velho e O Mar

Por Davi Paiva

 

Confesso que li este livro porque foi exigido pela faculdade. Contudo isso não o torna melhor ou pior. A experiência foi magnífica e daí a necessidade de fazer a resenha.

O autor da obra, Ernest Miller Hemingway (1899 – 1961), não poderia ser uma pessoa mais digna de nota: dono de um estilo seco com uso de sentenças curtas, teve vários relacionamentos, casou quatro vezes, foi jornalista cobrindo a Guerra Civil Espanhola e pertenceu a uma geração de escritores denominada Geração Perdida (escritores americanos que viveram na Europa. Principalmente em Paris na década de 20). E por último cometeu suicídio. Detalhe: seu pai, dois irmãos e uma neta também morreram da mesma forma.

Ernest Miller Hemingway (1899 - 1961)

Ernest Miller Hemingway (1899 – 1961)

Para quem não conhece, “O Velho e O Mar” narra a história do velho Santiago, que passa um dia inteiro tentando pescar um peixe-espada. A caçada ocorre em meio às dificuldades do pescador, monólogos e lembranças de de seu passado. Apesar de ser um romance, como ele é um texto de pouco espaços e curto tempo (todos os eventos ocorrem em três dias e três noites) eu o vejo mais como um conto.

O Velho e O Mar (ed. Bertrand Brasil)

O Velho e O Mar (ed. Bertrand Brasil)

Tudo bem que eu falando parece ser uma obra simples. Contudo um ano depois dela ser escrita em 1952, Hemingway ganhou o Pulitzer em 53 e em 54, o Nobel de Literatura (uau!!!).

Por que indico esta obra: é incrível ver como Hemingway conseguiu retratar o idoso. Eu mesmo quando li este livro, me senti o velho com as dores nas mãos e costas tentando puxar a linha e conseguia visualizar os seus fluxos de consciência lembrando do passado. Outra coisa que chama muito a atenção é o respeito de Santiago pelas pessoas como o garoto que trabalhava com ele ou de seres inanimados, como o mar:

O velho pensava sempre no mar como la mar, que é como lhe chamam em espanhol quando verdadeiramente o querem bem(…) [Os pescadores novos] ao falarem do mar dizem el mar, que é masculino. Falam do mar como um adversário, de um lugar ou mesmo de um inimigo. Entretanto o velho pescador sempre pensava no mar no feminino e como se fosse uma coisa que concedesse ou negasse grandes favores; mas se o mar praticasse selvagerias ou cruedades, era só porque não podia evitá-lo

Indicado para: quem quiser ver uma história simples e cativante de um velho pescador.

Obrigado e boa leitura!

Livro: Trilogia A Mão Esquerda de Deus

Por Davi Paiva

 

Olá, pessoal. Tudo bem? Espero que sim.

Não vou mentir para vocês: títulos pomposos, capas “modafócas” e um pouco de “rádio leitor” vendem livros. E foram esses três fatores que me levaram a adquirir o primeiro livro da série, A Mão Esquerda de Deus (The Left Hand of the God, 2010, Paul Hoffman, Ed. Suma de Letras). Quando o adquiri, pensei três coisas a respeito dele:

  1. “Que capa animal!”
  2. “Que título bom!”
  3. “Ouvi falar que tem algo a ver com Harry Potter! Será?”

Dos três pensamentos só o primeiro provou estar errado. Eu não sei até hoje onde vi a comparação do trabalho de Hoffman com o da J.K. Rowling, mas repito: uma coisa não tem nada a ver com a outra.

O autor, Paull Hoffman

O autor, Paull Hoffman

A história do livro se passa na Terra em uma realidade alternativa onde o filho de Deus foi enforcado e não crucificado, assim como terras bem mescladas (uma hora eles estão no Mississipi, importante rio dos EUA. E em outra, na Suíça) e conta a história de Thomas Cale, um garoto que nem sabe a própria idade (14 ou 15 anos) e vive no Santuário do Redentor Enforcado onde é treinado nas artes de combate e estratégia militar com vários outros garotos. Cale é considerado um prodígio e não possui muitos amigos, mantendo diálogos com só outros dois garotos no Santuário: Kleist e Henri Embromador. Um dia Cale presenciará um fato que vai mudar a sua vida e vai obrigá-lo a sair do Santuário, onde passa a viver diversas situações.

Agora vamos a um raio X do três livros.

Livro 1: A Mão Esquerda de Deus (The Letf Hand of the God).

Ano de publicação: 2010.

Comentário pessoal: gostei. Tudo bem que comprei esse livro inicialmente pelos seus atrativos comerciais. Contudo não só é uma obra que serve como um divisor de águas para pessoas como eu que estão cansadas de ler sobre adolescentes lutando guerras contra adultos e criaturas enfrentadas originalmente por homens (pois mesmo Cale e seus amigos sendo extremamente habilidosos, lidam com os podres do mundo acumulando ganhos e perdas) como também ajuda a preparar um leitor para obras mais adultas e complexas.

 

Livro 2: As Últimas Quatro Coisas (The Last Four Things).

Ano de publicação: 2011.

Comentário pessoal: as andanças de cada personagem mostram uma grande evolução na vida de cada um e principalmente pela complexidade da personalidade de Thomas, você fica sem saber se o rumo que ele toma será aquele que o levará ao fim da história. Uma hora você crê que ele vai comandar um mega exército, outra hora ele é obrigado a montar um e bem mais para frente pega um segundo grupo, mescla com o primeiro e passa a lutar contra aqueles que o criaram! Incrível…

 

Livro 3: O Bater de Suas Asas (The Beating of His Wings)

Ano de publicação: 2013.

Comentário pessoal: gostei muito desse livro, pois nele há mais um parecer de que é preciso duas coisas para se criar uma lenda: fatos e pessoas que acreditem neles de um modo mitificado. Thomas Cale ganha um status ainda maior do que tinha em As Últimas Quatro Coisas e tudo isso sem um poder extraordinário como um Eragon ou um Percy Jackson. Apesar de suas perícias, Cale se mostra um humano perturbado e fragilizado não só pela sua criação como os atos que sofreu desde que saiu no Santuário. Os desfechos são satisfatórios e a única coisa que eu particularmente não gostei foram as notas iniciais e de encerramento como se quisessem dizer que o livro tem base em uma realidade existente.

 

Os livros da série A Mão Esquerda de Deus em ordem de lançamento e leitura.

Os livros da série A Mão Esquerda de Deus em ordem de lançamento e leitura.

Os outros autores deste blog, Fernando “Oneiros” Loiola e Rafael “Lionheart”, têm uma certa pré disposição a não ler obras de Escolhidos (os famosos “chosen one”) porque acreditam que a vida deles é sempre mais fácil, com pistas caindo do céu e que eles possuem habilidades extraordinárias que os equiparam aos seus inimigos, mais velhos e veteranos de guerra. Tudo bem que Cale possui um certo “poder” muito bacana para combates (não vou dizer qual. Mas aviso que não é nada que envolva magia). Só que diferente de muitos bruxos e semideuses por aí, ele não é uma pessoa que tem momentos de felicidade e se pode ver sorrindo em qualquer uma das três obras. O Anjo Exterminador (uma de suas alcunhas) sofre tanto fisicamente quanto psicologicamente pelo treinamento que passou e pelos traumas adquiridos em envolvimentos sociais e amorosos. Vendido pelos pais por seis centavos, treinado em combate desde criança, presenciando cenas horrendas e sendo traído pela única pessoa que amou sem em momento algum ser convencido de que era A Mão Esquerda de Deus deixou seqüelas graves em sua psique que repercutem em seu estado de saúde.

Indicado para quem: gosta de histórias sobre religião, Terras alternativas, guerras e queira fazer uma divisão do infanto juvenil para o adulto (a obra mescla as duas coisas, entre garotos e violência ou sexo não explícito).

Obrigado a todos.

Livro: A Casa de Hades

Por Davi Paiva

 

Oi, pessoal. Tudo bem? Espero que sim.

Creio que todos os fãs têm ficado apreensivos com o final de cada livro da série Os Heróis do Olimpo e meu palpite pessoal é que o choque foi ainda maior com o terceiro livro, A Maldição de Atena. Logo, a expectativa pela continuação A Casa de Hades (2013, Rick Riordan. Editora Intrínseca) foi tão alta que não é a toa que alguns spoilers foram amplamente divulgados (o tema de um deles será discutido neste artigo, mais para frente).

O livro narra as aventuras do semideus filho de Júpiter Jason Grace e seus amigos também semideuses Leo (filho de Volcano), Piper (filha de Afrodite), Hazel (filha de Plutão), Nico di Angelo (filho de Hades), Frank (filho de Marte) além do sátiro Hedge em sua jornada no navio voador Argo II não só na luta contra o despertar de Gaia como também no resgate de Percy e Annabeth (respectivamente filhos de Poseidon e Atena) que caíram no Tártaro.

A Casa de Hades

A Casa de Hades

O que achei do livro: impressionante. Pela parte dos tripulantes da Argo II, eles retratam bem a falta dos amigos e dão grandes momentos para os supostos coadjuvantes brilharem (Leo, Frank e Nico. Calma que o spoiler está chegando…) bem como o clima tenso entre os dois acampamentos. Já no caso dos perdidos no Tártaro é um caso complicado. Tudo bem que não era plano deles irem para lá e logo não dava para esperar que eles contassem com comida, remédios e armas. Mas sendo um grupo já com situações complicadas, nada pior do que um deles perder a sua arma e ainda ter que lidar com N monstros. Só que por ser um livro infanto juvenil, o autor logo dá um jeito. Deus ex machina, como diz a expressão latina? Sim. Só que para a faixa etária, tudo fica mais bonito.

 

O autor, Richard Russell ''Rick'' Riordan, Jr.

O autor, Richard Russell ”Rick” Riordan, Jr.

E AGORA… O GRANDE SPOILER!!!

Eu não sei quantos spoilers foram divulgados a respeito da obra, porém um deles chamou a atenção dos leitores: quando Jason e Nico encontram o Cupido e há a revelação do motivo pelo qual o filho de Hades se afastou do Acampamento Meio-Sangue. O trecho é exatamente assim (p. 239):

“— Tive uma queda por Percy — disse Nico. — Essa é a verdade. Esse é o grande segredo”

Bom… o que dizer ou o que pensar?

A priori eu pensei que era algo a ver com o fato de Nico ter perdido a irmã cedo e ter Percy como um irmão que sem intenção, o “abandona” para ter o seu namoro com Annabeth e daí os ciúmes do filho de Hades (o mesmo alega isso na mesma página). Depois eu pensei que isso é reflexo da “modinha” de se ter uma certa gama de personagens homossexuais em histórias como uma forma de se combater a homofobia e mais tarde desisti da ideia. O que muitos tentam colocar do modo pejorativo de “modinha” na verdade é apenas reflexo da nossa sociedade que aceita cada vez mais a inclusão de personagens com variedades étnicas/religiosas/opção sexual. E por último até pensei que de todos os personagens… tinha que ser logo o Nico???

Daí, parei para pensar em diversas outras artes: música, filmes e seriados… e em pelo menos uma de cada, há personagens ou até atores homossexuais e nem por isso a obra se torna mais ruim ou menos ruim. Logo isso não desmerece o autor e nem um personagem que FOI PARA O TÁRTARO E SAIU DE LÁ SOZINHO, bem como ajudou a defender o acampamento grego no livro A Batalha do Labirinto e teve participação importantíssima em O Último Olimpiano. Conclusão: ainda que o autor não coloque com todas as letras, Nico di Angelo pode ser considerado gay. Só que ainda é o gay mais durão que já vi em um livro.

Indico esse livro em especial para: quem não liga para as preferências dos outros.

Obrigado a todos(as).

Livro: A Marca de Atena

Por Davi Paiva

Eis que finalmente os acampamentos se reúnem!

É chegada a hora em que os dois semideuses considerados os mais fortes de cada lar vão unir forças na luta contra o mal!

E cara… que capa f***!!!

É com esses pensamentos que o fã começa a ler o terceiro livro da série Os Heróis do Olimpo, A Marca de Atena (2013, Intrínseca, de Rick Riordan). Nele, o grande herói Percy Jackson, filho de Poseidon, encontra Jason Grace, filho de Júpiter. Esse encontro marca a união dos dois acampamentos (Meio-Sangue, dos semideuses gregos e Júpiter, dos semideuses romanos) na luta contra Gaia e seus gigantes e a viagem que eles fazem até Roma.

Capa (modafóca) do livro A Casa de Hades

Capa (modafóca) do livro A Casa de Hades

O que posso dizer desse livro: pela parte inicial da profecia dizer que SETE meio-sangues responderão ao chamado, dava para esperar quem iria viajar. Tudo bem que dependendo da situação, o autor poderia criar uma esquadra liderada pela Argo II, contudo creio que a grande batalha como TODO MUNDO está reservada para o final assim como ele fez com Percy Jackson e Os Olimpianos. O que posso dizer é que gostei da jogada dele para impedir que qualquer acampamento os deixassem e ainda desse algo a fazer para os grupos grego e romano.

Creio que ter dois personagens de liderança (Percy e Jason) também foi tão trabalhoso quanto mostrar um cenário novo. O pessoal que mora em Nova York deve gostar muito do livro por causa disso. Só que quando vê a mudança de cenário, devem se sentir lendo algo da mesma forma como qualquer pessoa que não é de lá: são apresentados a um lugar novo, com casas, paisagens e climas diferentes. O que é muito legal nos livros, já que eles nos fazem viajar sem sair do espaço físico em que nos encontramos.

E mais uma vez a estrela de Riordan que não aceita que os leitores de Percy Jackson estão crescendo e ainda quer vender para o público infanto juvenil brilha. E quando a Annabeth encontra Aracne, o que poderia ser alguma coisa bem legal de se criar vira só uma embromação, embora o final seja o prelúdio de algo que deixa os leitores ansiosos para o próximo livro.

O autor, Richard Russell ''Rick'' Riordan, Jr.

O autor, Richard Russell ”Rick” Riordan, Jr.

Obrigado pela leitura , pessoal!

Livro: O Filho de Netuno

Por Davi Paiva

“— Percy Jackson no outro acampamento. E, assim como eu, provavelmente não se lembra da própria identidade”

É com essas palavras que acaba o primeiro livro da série Os Heróis do Olimpo e nem preciso dizer como fica a expectativa do leitor para ler o segundo volume, certo?

O Filho de Netuno (2012, Intrínseca, de Rick Riordan) é o segundo volume dessa série. Nele temos a história de Percy Jackson em rumo ao Acampamento Júpiter na esperança de salvar mundo na luta contra o despertar de Gaia e o surgimento de novos inimigos, os gigantes.

O Filho de Netuno

O Filho de Netuno

Indo para o novo acampamento, Percy logo é apresentado aos novos personagens. A pretora Reyna, o oráculo Octavian e os integrantes da Quinta Coorte (não confundam com “corte”. Coorte era o nome dado para unidades militares romanas) Frank Zhang e Hazel Levesque, que mais para frente tornam-se aliados do personagem principal em uma viagem ao Alasca.

O que digo sobre o novo acampamento: da mesma forma como Hogwarts tinha o seu bairro próximo, Hogsmeade, creio que Riordan deve ter pensado “por que não incluí um lugar para os meio-sangues viverem na vida adulta?” e teve a sacada de criar os vilarejos onde os semideuses podem cursar faculdades, viver e criar famílias. Outra grande ideia que também foi descrita no livro é que por Roma ser um império que estava acostumado a erguer ou desfazer construções da noite para o dia, eles aceitam a possibilidade de se mudar a qualquer momento e reconstruir tudo em poucos dias. Isso não foi necessário no livro até o momento, mas também foi legal.

Infelizmente uma coisa que deixou muito a desejar (em teoria, por eu ser fã de histórias que se passem no Império Romano, como o filme Gladiador ou o seriado Spartacus) é que o acampamento não é tão durão assim quanto Jason o descreveu no fim do livro anterior, O Herói Perdido. Tudo bem que a Batalha pela Bandeira é bem mais complicada (um time tem que invadir o castelo do outro, que detém a bandeira!!!), contudo acredito que por ser um livro infanto juvenil, o autor teve que tirar a escravidão, as lutas mortais nas arenas e todo o lado podre e violento do império. Espero um dia escrever um lugar que “quem não prova o seu valor… não sobrevive”, como disse o filho de Júpiter no primeiro livro.

O autor, Richard Russell ''Rick'' Riordan, Jr.

O autor, Richard Russell ”Rick” Riordan, Jr.

O que dizer sobre o livro: a meta de apresentar os dois acampamentos trocando os seus dois “líderes” foi genial. Riordan consegue trazer o leitor para uma versão do acampamento Meio Sangue mais “romanizada” e resolve grandes mistérios como o passado de Hazel, a identidade do pai de Frank bem como os seus poderes e até mesmo conta a verdade sobre o site Amazon. Com (ri muito ao descobrir). Todavia a única queixa que tenho desse livro é o que mencionei a respeito da infantilidade com que o Império é descrito.

Obrigado a todos pela leitura.

Livro: O Herói Perdido

Por Davi Paiva

 

“Sete meio-sangues responderão ao chamado,

Em tempestade ou fogo, o mundo terá acabado.

Um juramento a manter com um alento final,

E inimigos com armas às Portas da Morte afinal.”

 

Esta é a primeira profecia da nova Oráculo no final do livro O Último Olimpiano, da série Percy Jackson e Os Olimpianos. Na obra, Percy até fica preocupado quando o seu mestre diz que a profecia que fala dele levou mais de 70 anos para acontecer. Daí ele pode ficar tranquilo que esta nova pode demorar muito mais. E com esta linha de pensamento a saga acaba. Você fecha o seu livro, o guarda em sua estante e vai viver a sua vida tal qual eu fiz quando li a saga assinada por Rick Riordan.

Até que um dia você sai com uma amiga como eu fiz e aguardando um pedido no Habib’s, lê o catálogo de lançamentos oferecido por uma livraria quando encontra os dados de uma nova obra chamada O Herói Perdido e encontra a seguinte mensagem:

“A continuação de Percy Jackson e Os Olimpianos (…)”

E aí você fica surpreso, fala com a sua amiga a respeito da saga Percy Jackson, manda SMS para dois amigos e alguns dias depois, vai correndo comprar o livro…

O Herói Perdido (2011, Intrínseca)

O Herói Perdido (2011, Intrínseca)

O Herói Perdido foi escrito em 2010 e lançado no Brasil um ano depois e é o primeiro livro da nova fase Heróis do Olimpo, que por sua vez é a continuação da saga de Percy Jackson e Os Olimpianos. A história se passa exatamente 1 ano após os incidentes narrados em O Último Olimpiano e já começa com novos personagens: Jason, um garoto estudante de uma escola comum está indo para uma excursão em um ônibus acompanhado de sua namorada Piper e do seu melhor amigo Leo. Só tem um problema: ele não se lembra quem é, por que está de mãos dadas com uma garota enquanto ambos dormiam no fundo do ônibus nem por que um garoto o trata de modo tão amigável.

Mais para frente os detalhes são revelados e muitas coisas surpreendem o leitor: saber quem são os pais dos três, seus poderes e o ponto mais alto é saber do novo acampamento do qual veio o personagem principal: o Acampamento Júpiter.

Minha opinião: Rick Riordan podia ter esperado uns anos para publicar este livro. Seria algo gostoso vivermos nossas vidas e alguns anos depois, olhar Percy e seus amigos com olhos saudosistas. Não sei se ele produziu o livro por pressão editorial ou por vontade pessoal, mas o que posso dizer é que ele inovou contando a história por diferentes pontos de vista. Alguns capítulos são narrados por Jason, outros por Piper e um restante por Leo. E claro que um fã depois de um tempo fica ansioso lendo a obra esperando que o seu personagem preferido volte a narrá-la para os fatos girarem ao seu redor. Contudo tal forma de escrevê-la não a torna ruim. Um outro ponto que considero muito interessante é o entrelaçar da realidade americana (no livro ocorrem ações na casa do escritor americano Jack London) e com os livros anteriores (como o dragão Festus, presente em Arquivos Secretos do Semideus).

O autor, Richard Russell ''Rick'' Riordan, Jr.

O autor, Richard Russell ”Rick” Riordan, Jr.

Indicado para: quem gostou de Percy Jackson e Os Olimpianos, goste de mitologia grega e romana, além de literatura infanto-juvenil.

Obrigado a todos(as).

Livros: Percy Jackson e Os Olimpianos

Por Davi Paiva

 

Tanto como leitor assíduo quanto como escritor ou vivente da época, creio que tenho o direito de expressar a minha opinião que a saga de livros Harry Potter mudou muitas concepções que tínhamos de livros infanto juvenis. Eu não lembro de ter visto anteriormente uma história que englobasse o cenário fantástico no nosso mundo real. Saber que ali na Inglaterra havia uma estação de metrô com uma passagem oculta que levava um jovem sem destaque no nosso mundo para outro onde ele era altamente reconhecido era algo magnífico. Com os três primeiros livros publicados em 2000 e o quarto no ano seguinte, dali em diante aguardamos a cada dois anos um livro novo.

Infelizmente (ou felizmente para alguns), a saga acabou em 2007 e muitos se perguntavam “e agora que nos acostumamos a ler livros em série, qual será o seu sucessor?” e como certa vez eu disse em minha página do Recanto das Letras:

O que me entristece não são as histórias que se acabam nem as pessoas que já se foram. É que não apareceu nenhuma história e nenhuma pessoa que as substituíssem”.

Já havia algumas séries em livros de relativos sucessos no Brasil e no exterior. Só que nenhuma delas conseguiu ser tão próxima de sucesso pelo livro ou pelo filme. Para alguns, a saga Crepúsculo foi o mais próximo que chegaram. Contudo fãs discordam visto que a obra de Stephenie Meyer é mais direcionada ao público feminino do que a obra de J.K. Rowling.

Onde estava a solução? Em um homem: Rick Riordan.

Segundo depoimento presente no livro O Diário do Semideus, Riordan era professor em São Francisco e tinha uma vida normal até o seu filho Haley ser diagnosticado com TDAH, que é o transtorno de déficit de atenção. Para entreter o garoto ele contava histórias de mitologia grega até que um dia Haley pediu a ele que criasse a sua. E para que o filho pudesse se identificar, fez um garoto com o mesmo problema e também com 11 anos (idade de Haley na época) que parecia não ter um lugar no mundo, mas que tinha um destino especial reservado a ele.

Rick Riordan e seu filho, Haley

Rick Riordan e seu filho, Haley

E assim nasceu Percy Jackson.

Como também sou fã de mitologia, fiquei um pouco encabulado ao imaginar um filho de Poseidon como protagonista, visto que as histórias antigas narram feitos incríveis para os semideuses filhos de Zeus, como Perseu e Hércules. Contudo arrisquei a leitura de O Ladrão de Raios e devo confessar que fiquei fascinado.

Para ficar mais fácil, vamos fazer um raio X de todos os livros da fase Percy Jackson e Os Olimpianos de uma forma que eu possa dar a minha opinião livro por livro e depois um resumo da obra como um todo.

 

Livro um: Percy Jackson e O Ladrão de Raios

Ano de lançamento no Brasil: 2008.

Sinopse: Percy Jackson é um garoto de 11 anos que vive em Nova York com em um colégio para crianças problemáticas. Ele nunca conheceu o seu pai e sua mãe vive com um padrasto com o qual ele não se dá bem. Sua vida muda quando ele é atacado por uma criatura mitológica durante uma excursão e de lá, Percy parte para o Acampamento Meio Sangue, lar de semideuses gregos onde ele saberá mais sobre o seu pai e sua missão de salvar o mundo.

O que achei: como sou estudioso da saga do herói de Joseph Campbell e leitor de Harry Potter, vi muitas coisas tanto conceituais quanto em termos de criação de história. Um protagonista que não conhece muito bem o mundo no qual é inserido ajuda o leitor a entender melhor a história e ter uma amiga inteligente como Annabeth (tal qual Hermione) e um colega engraçado como Grover (tal qual Rony) ajuda o leitor a entender a história. E tal qual a obra britânica, já vemos quem serão o “Malfoy” e o “Voldemort” da história.

 

Livro dois: Percy Jackson e O Mar de Monstros

            Ano de lançamento no Brasil: 2009.

            Sinopse: a árvore que mantém a magia protetora ao redor do Acampamento Meio Sangue é envenenada e cabe a Percy e seus amigos (incluindo um novo colega, Tyson) encontrarem o Velocino de Ouro que possa salvar o pinheiro.

            O que achei: neste volume Riordan trabalhou mais a aceitação de diferenças entre pessoas. Percy cuida de Tyson e depois que descobre algumas coisas sobre ele, passa a desgostar do sujeito. Na história são reveladas mais coisas entre os dois que culminam em um final carismático.

 

Livro três: Percy Jackson e A Maldição do Titã

            Ano de lançamento no Brasil: 2009.

            Sinopse: Grover perde ajuda a Percy e seus amigos na busca por dois novos semideuses. Infelizmente Annabeth é seqüestrada na luta decorrente e cabe a Percy com novos aliados ir em busca de sua amiga e ainda enfrentar os planos de seus inimigos. Inclusive um que foi libertado de um cárcere bem conhecido na mitologia grega.

            O que achei: um dos motivos pelos quais o Rafael Lionheart menos gosta deste volume é pelo seqüestro de Annabeth, o que a tira de boa parte da história. Entretanto a meu ver, vale a pena ver como a relação entre os dois se fortalece. Destaque para a entrada do meu personagem preferido: Nico Di Angelo.

 

Livro quatro: Percy Jackson e A Batalha do Labirinto

            Ano de lançamento no Brasil: 2010

            Sinopse: Percy e Annabeth descobrem uma passagem do Labirinto de Dédalo dentro do Acampamento. Missão: encontrar o criador e dar um jeito de selar a entrada para que os inimigos não invadam o local.

            O que achei: é um dos meus preferidos. Ação, comédia, romance, heróis tendo que se decidir em que lado vão ficar (Nico e Quintus) foi um prato cheio neste livro.

 

Livro final: Percy Jackson e O Último Olimpiano

            Ano de lançamento no Brasil: 2010.

            Sinopse: a guerra de semideuses e monstros toma Nova York. Percy e muitos outros ficam com a missão de proteger a cidade.

            O que achei: acho este livro a maior “porradaria” da história em termos de literatura infanto juvenil. Não que a Batalha de Hogwarts não tenha sido grande também. Mas esta tem como cenário um lugar real, o que torna a história mais palpável.

 

Livro extra: Os Arquivos do Semideus

            Ano de lançamento no Brasil: 2010.

            Sinopse: nele há ilustrações dos personagens, entrevistas e contos que se passam entre o quarto e o quinto livro.

            O que achei: que a editora poderia ter publicado o livro antes! Nem todos os fãs leem esta obra antes do quinto livro. E algumas coisas aqui são legais de se saber.

 

Os cinco livros da série Percy Jackson e Os Olimpianos (e também o especial)

Os cinco livros da série Percy Jackson e Os Olimpianos (e também o especial)

Avaliação como um todo: Percy Jackson é um legítimo sucessor de Harry Potter sem tirar nem por. Apresenta os conceitos da saga do herói de Campbell e as fórmulas de sucesso dos livros britânicos (amigas inteligentes, amigos engraçados, rivais, inimigos poderosos, fantasia em cenário moderno e o conceito que o Fernando Loiola mais odeia nas histórias infanto juvenis: o conceito do Escolhido/Chosen one) em parceria com algo mais antigo que as histórias de bruxos: as histórias dos deuses gregos.

 

Indicado para quem: gostou de Harry Potter, aprecie mitologia ou histórias do gênero fantasia em cenário real ou curtam histórias de garotos se tornando verdadeiros heróis.

 

Obrigado a todos(as).

 

P.S.: sobre os filmes dos livros, O Ladrão de Raios em 2010 e O Mar de Monstros em 2013, eu confesso que só não vi o segundo por achar o primeiro ruim pra c*****! E não ligo para aqueles que dizem “ah, mas agora está melhor” porque eu acho que o colocar atores quase adultos e um ator negro “para preencher cota (sou negro antes que alguém reclame, ok?)” foi um tiro no pé! Sem contar que a adaptação ficou ruim. Mudaram a história, a forma dos poderes e toda a dinâmica foi pro brejo #ProntoFalei

Percy Jackson e O Ladrão de Raios (2010). Como se não bastasse o filme do Eragon ser ruim...

Percy Jackson e O Ladrão de Raios (2010). Como se não bastasse o filme do Eragon ser ruim…