Ghost in the Shell: ou, realidade, descendência, mudança e o que há de melhor no Sci-Fi

Por Fernando Loiola

 

Há muito tempo quando fiquei sabendo que existia uma animação chamada Ghost in the Shell eu sabia que iria querer assisti-la, isso por que a colocavam na mesma categoria de Akira. Agora, mais de 15 anos depois, finalmente superei todos os contratempos e preguiças ligadas a minha intenção de ver a obra de Masamune Shirow e vi Ghost in the Shell, e digo, ainda bem, pois agora tenho maturidade pra contemplar toda a magnífica obra cyberpunk que ela é.

O cyberpunk é um gênero literário que vêm dos loucos anos 80 e fala de futuros pessimistas, tecnologia avançada no imaginário da época, Megacorporações que se misturam com governos, sujeira e miséria urbana. Seus precursores foram Neuromancer, obra de William Gibson. Mas algumas das obras mais emblemáticas pertencem a Philip K. Dick, como Minority Report, Vingador do Futuro e o que muitos chamam de obra máxima do gênero, Blade Runner. No RPG, o gênero tem títulos poderosos como o próprio Cyberpunk 2020 e o Shadowrun, além do manual obrigatório para rpgistas independente do sistema, GURPS Cyberpunk. Entre os filmes, vale destacar o “foderoso” Robocop de Paul Verhoeven, e o blockbuster Matrix que de original não tem nada, e chupa violentamente suas ideias e referências das obras citadas acima.

Todas essas histórias trazem críticas sociais e questionamentos filosóficos sobre a realidade, existência e a vida.  Logo, carregam o cerne de uma boa ficção científica. E Ghost in the Shell tem tudo isso e ainda mais.

Na obra cyberpunk de Shirow, é impressionante como os seres humanos (ou parecidos) são retratados

Na obra cyberpunk de Shirow, é impressionante como os seres humanos (ou parecidos) são retratados

A história se passa em um futuro onde implantes cibernéticos e são viáveis e comuns, toda essa tecnologia pouco tem feito pelo avanço do desenvolvimento “humano” as cidades são superpopulosas e sujas, as pessoas se importam mais com seus gadgets do que com as pessoas do outro lado da rua, seus cibercerebros fazem link automaticamente com a rede e com outros usuários ou mesmo veículos. Dentro desse contexto vamos fazer a seguinte reflexão: ter lembranças tão vividas e intensas não as tornam reais? A interpretação de dados não é o mesmo que o nosso próprio cérebro faz com os impulsos elétricos quando percebe o mundo ao nosso redor? E se alguém pudesse manipular suas próprias memórias, anseios, medos? Imagina alguém com tal capacidade acessando secretamente as suas memórias e mudando a SUA VIDA! Com esse mote primário conhecemos a Major Motoko Kusanagi. Uma ciborgue de altíssimo nível que trabalha para o Setor 9 em Tóquio. Então o ciberterrorista mundialmente conhecido denominado “mestre das marionetes” que invade as memórias de outras pessoas, manipulando-as, e usando-as para cometer seus crimes e escutar Metallica (desculpem, não resisti). A partir daí, a trama se desenvolve para conspirações governamentais, o que é a vida, liberdade e descendência, esse último com um foco especial. Não vou entregar mais nada do roteiro para não estragar para quem ainda não assistiu, mas vale citar uma virada interessante e um final inesperado e opressivo, como deve ser o cyberpunk, não é exatamente um final feliz apesar de tudo.

Major Motoko Kusanagi

Major Motoko Kusanagi

É uma obra magnífica, não tem ação desenfreada e desmedida, além de carregar todos os conceitos citados acima. Vale tanto para quem é fã do gênero como para  quem quer conhecer. Fica a dica.

Bons sonhos!!

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Samurai X – O filme

Por Davi Paiva

 

Quem me conhece, sabe que considero três animes como os maiores da história: Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball Z e Yuyu Hakusho. Abaixo destes três “titãs”, está Samurai X.

Muitas vezes procuro refletir sobre os fatores que levaram estes três a fazer tanto sucesso. E o que vejo é que eles tinham muitas lutas com efeitos devastadores. Marcou a época ver isto. Contudo a meu ver, a saga de Kenshin foi além disto: mostrou em termos explícitos por que cada personagem lutava. Muita gente por aí filosofa sobre o caráter motivacional que o Goku nos traz. A vantagem da obra de Nobuhiro Watsuki é que você não precisa se esforçar muito. E diferente de muito anime de ninja espalhafatoso, a história fluía bem.

E como era de se esperar no mundo capitalista em que vivemos o filme com atores reais foi produzido pela Warner Bros. Eu o vi tanto com olhar crítico quanto com olhar de fã. Acreditava que seria ou algo extremamente ruim como foi o filme do Dragon Ball ou algo que eu sempre falo que é um filme que dá pau a pique com o livro, como em O Conde de Monte Cristo ou O Senhor dos Anéis. Agora digo o que achei dele:

Samurai X - o filme

Samurai X – o filme

Roteiro: o filme engloba as edições 1 a 8 do mangá na edição brasileira e dá uma pequena mescla de como Kenshin ganhou a sua cicatriz. Portanto cortaram muitos capítulos do mangá e fizeram alterações que surpreendem o público, como Jin-E ser um contratado do Takeda Kanryuu, Aoshi não estar no filme e outros. Confesso que se não fosse pelo fato de eu ser fã do mangá e saber que o filme veio de uma história adaptada, eu o acharia bem ruim.

Atuações: eu considerei as atuações boas. Nenhum pareceu fugir muito de seus personagens.

Trilha sonora: boa, mas um pouco repetitiva no que se refere às aparições do Takeda.

Cenas de ação: foi uma boa sacada mudarem o Kenshin de mestre no uso da espada para um lutador que soubesse se virar também com as mãos vazias. Sem contar que os efeitos de velocidade que deram a ele traduziram muito bem em linguagem cinematográfica a velocidade do estilo Hiten Mitsurugi Ryuu. Até mesmo algumas técnicas do protagonista são exibidas. Só não considero as cenas de ações perfeitas pelo fato do Hajime Saitou não ser o usuário freqüente da sua técnica de perfuração Gatotsu e por Sanosuke não arrebentar tudo com sua Zanbatou.

Figurino: quando você começa assistindo ao filme você vê o Kenshin com uma roupa diferente da original e mais pra frente, Kaoru lhe dá umas vestes que disse serem de seu pai. Quando você vê o protagonista com o quimono magenta, dá até vontade de dizer “aí sim”. Entretanto foi legal passarem a ideia dele ser um andarilho de vestes surradas. Tudo bem que alguns personagens como Hannya e Shikijou fugiram completamente do que conhecemos e outros ficaram no meio termo, como Sanosuke que não teve o ideograma em suas costas mais trabalhado e o cabelo do Saitou faltava umas pontas soltas… mas deu pra perdoar.

Cenário: tanto a guerra no início quanto a invasão da mansão e a luta contra Jin-E tiveram cenários tal qual o do mangá. A única coisa que não consigo entender é por que não fizeram a luta contra o Sanosuke no campo aberto tal qual na versão original?

Estas foram as impressões que tirei ao assistir ao filme. Em suma não é algo vergonhoso de se ver como a cara de bolacha do ator que faz o Kira no filme do Death Note e nem chega a ser a coisa magnífica que vi no filme O Conde de Monte Cristo na versão de 2002. Todavia é algo que vale a curiosidade.

Pra quem não viu o filme, vale a pena procurar. E pra quem quiser ler o mangá, aproveitem que a editora JBC está relançando-o.

Bom filme, pessoal!