Livro: O Filho de Netuno

Por Davi Paiva

“— Percy Jackson no outro acampamento. E, assim como eu, provavelmente não se lembra da própria identidade”

É com essas palavras que acaba o primeiro livro da série Os Heróis do Olimpo e nem preciso dizer como fica a expectativa do leitor para ler o segundo volume, certo?

O Filho de Netuno (2012, Intrínseca, de Rick Riordan) é o segundo volume dessa série. Nele temos a história de Percy Jackson em rumo ao Acampamento Júpiter na esperança de salvar mundo na luta contra o despertar de Gaia e o surgimento de novos inimigos, os gigantes.

O Filho de Netuno

O Filho de Netuno

Indo para o novo acampamento, Percy logo é apresentado aos novos personagens. A pretora Reyna, o oráculo Octavian e os integrantes da Quinta Coorte (não confundam com “corte”. Coorte era o nome dado para unidades militares romanas) Frank Zhang e Hazel Levesque, que mais para frente tornam-se aliados do personagem principal em uma viagem ao Alasca.

O que digo sobre o novo acampamento: da mesma forma como Hogwarts tinha o seu bairro próximo, Hogsmeade, creio que Riordan deve ter pensado “por que não incluí um lugar para os meio-sangues viverem na vida adulta?” e teve a sacada de criar os vilarejos onde os semideuses podem cursar faculdades, viver e criar famílias. Outra grande ideia que também foi descrita no livro é que por Roma ser um império que estava acostumado a erguer ou desfazer construções da noite para o dia, eles aceitam a possibilidade de se mudar a qualquer momento e reconstruir tudo em poucos dias. Isso não foi necessário no livro até o momento, mas também foi legal.

Infelizmente uma coisa que deixou muito a desejar (em teoria, por eu ser fã de histórias que se passem no Império Romano, como o filme Gladiador ou o seriado Spartacus) é que o acampamento não é tão durão assim quanto Jason o descreveu no fim do livro anterior, O Herói Perdido. Tudo bem que a Batalha pela Bandeira é bem mais complicada (um time tem que invadir o castelo do outro, que detém a bandeira!!!), contudo acredito que por ser um livro infanto juvenil, o autor teve que tirar a escravidão, as lutas mortais nas arenas e todo o lado podre e violento do império. Espero um dia escrever um lugar que “quem não prova o seu valor… não sobrevive”, como disse o filho de Júpiter no primeiro livro.

O autor, Richard Russell ''Rick'' Riordan, Jr.

O autor, Richard Russell ”Rick” Riordan, Jr.

O que dizer sobre o livro: a meta de apresentar os dois acampamentos trocando os seus dois “líderes” foi genial. Riordan consegue trazer o leitor para uma versão do acampamento Meio Sangue mais “romanizada” e resolve grandes mistérios como o passado de Hazel, a identidade do pai de Frank bem como os seus poderes e até mesmo conta a verdade sobre o site Amazon. Com (ri muito ao descobrir). Todavia a única queixa que tenho desse livro é o que mencionei a respeito da infantilidade com que o Império é descrito.

Obrigado a todos pela leitura.

Dexter – Avaliação crítica das 8 temporadas

Por Davi Paiva

Dexter - logo

Ser mau está na moda. Usar recursos de um vilão clássico também. Sabemos que a psicopatia não é uma coisa boa e mesmo assim vemos adolescentes querendo “pagar uma de fodões” com camisetas com mensagens como “não me perturbe. Psicopata em tratamento” por aí. O que me faz imaginar o que aconteceria se um serial killer com um padrão de vítimas de usuários dessa camiseta aparecesse…

O que me intrigou a ver essa série era entender como um psicopata conseguia identificar outros assassinos e matá-los sem correr riscos de ser pego. A princípio, não gostei muito do fato da série ser ambientada em Miami por achá-la muito colorida e aberta (tanto que até reclamei disso com amigos nos primeiros episódios). Achei que seria melhor se essa fosse em um cenário mais urbano e popular, como Nova York ou Washington.

Caso você ainda não conheça essa série, ela teve o seu primeiro episódio exibido nos EUA em 01/10/2006 e terminou em 22/09/2013 com 8 temporadas de 12 episódios cada uma. Também possui uma série de livros lançados também no Brasil e é detentora de alguns prêmios. Conta a história de Dexter Morgan (Michael C. Hall), um analista de sangue da polícia de Miami que tem o segredo de ser um psicopata. O que surpreende nessa série é não só ele ter como padrão de vítimas outros assassinos como também o fato de que ele foi treinado pelo próprio pai, que também era policial (em vários momentos da série, Dexter conversa com a sua consciência, interpretada pelo seu pai, o ator James Remar. Os diálogos são muito bons e isso rende um verdadeiro monólogo interior riquíssimo pelas discordâncias de ambos em alguns casos).

Michael C. Hall (ator que apesar da aparência no seriado, é bem versátil. Recomendo que assistam ao filme Gamer para tirarem conclusões)

Michael C. Hall (ator que apesar da aparência no seriado, é bem versátil. Recomendo que assistam ao filme Gamer para tirarem conclusões)

A seguir, um resumo do que há em cada temporada sem spoilers gravíssimos. Espero que gostem das minhas opiniões (estou sempre aberto a comentários) e que caso não conheçam a série, que fiquem com vontade:

1ª temporada

Resumo: Dexter lida com um assassino apelidado pela mídia de Ice Truck Killer (ou assassino do caminhão de gelo). Sua marca registrada é matar as pessoas sem deixar uma gota de sangue sequer no corpo das vítimas e ainda parece conhecer o protagonista, o que rende um jogo de gato e rato.

O que achei: é uma temporada para conhecer a série. Então tudo que está lá, perdura pelas temporadas seguintes. O que não quer dizer que ela seja ruim. Muito pelo contrário. E a relação do assassino com o Dexter é a cereja do bolo.

 

2ª temporada

Resumo: o local onde Dexter joga os cadáveres é descoberto. A imprensa e polícia de Miami começam uma caçada pelo Bay Harbor Butcher (Açougueiro de Bay Harbor, que é o nome que dão ao Dexter como assassino). Para piorar, a busca é coordenada pelo agente do FBI Frank Lundy (Keith Carradine) e Dexter se vê às avessas com uma companheira de uma clínica de recuperação para viciados, Lila West (interpretada pela gatíssima Jaime Murray).

O que achei: essa é a minha temporada preferida. O medo de Dexter ser descoberto, a aparição de uma pessoa inteligente como Lundy e uma pessoa que é tão doida quanto ele que vai desvendando-o tornam essa temporada um espetáculo.

Lila (Jaime Murray)

Lila (Jaime Murray)

3ª temporada

Resumo: Dexter agora acredita que não precisa mais seguir a doutrina de seu pai (que chama de O Código) e sente a falta de um amigo com quem possa compartilhar o seu segredo. E acredita que possa instruir outra pessoa a ser como ele.

O que achei: realmente o vácuo da compreensão de Lila foi grande e Dexter mostrou que mesmo sendo um adulto, treinado e experiente, comete erros. Outro dilema que também esteve presente foi a relação dele com a namorada, Rita (Julie Benz) e a questão “psicopatas podem ter uma vida normal?”.

Rita (Julie Benz)

Rita (Julie Benz)

            4ª temporada

            Resumo: para muitos, essa é a melhor temporada principalmente pelo final. Nela, Dexter lida com o serial killer Trinity. Um sujeito que aparentemente consegue ter uma vida normal como marido, pai de família e um assassino que nem a polícia acredita na sua existência.

            O que achei: com o devido respeito ao gosto público, ainda sou mais fã da segunda temporada mesmo com o final marcante da quarta. Tenho a teoria que os dilemas de Dexter como marido e pai de família não caíram no agrado (nem sempre fãs gostam de mudanças) e deram um jeito de desfazer tudo de uma forma bombástica. Fora que o mimo de Dexter em querer ele mesmo executar o assassino o levou ao drama que ocorre no final e nos primeiros episódios da quinta temporada (há uma cena em que Trinity tenta se matar e Dexter o impede. Se ele tivesse deixado acontecer, as coisas seriam bem diferentes).

 

5ª temporada

            Resumo: assassinos são pessoas solitárias… ou não? Nessa temporada, Dexter lida com um grupo que seqüestra, tortura, estupra e mata mulheres.

            O que achei: para muitos, nem um exército de serial killers apaga o clímax do final da quarta temporada. A meu ver a participação da personagem Lumen (Julia Stiles) e a ideia de um grupo de molestadores foram diferenciais. Eu confesso que gostei do drama que rendeu saber quem eram todos eles e como matá-los.

Lumen (Julia Stiles)

Lumen (Julia Stiles)

6ª temporada

            Resumo: nessa temporada temos a entrada de um assassino inspirado na bíblia e várias reflexões a respeito da fé.

            O que achei: para alguns, o vilão podia ser interpretado por um ator melhor e para outros, os debates poderiam ser menos repetitivos. O que eu posso dizer é que gosto de obras (livros, filmes, seriados, etc.) em que não só eu possa ver um trabalho como refletir sobre o seu conteúdo. Foi uma das temporadas mais inteligentes em termos de argumentos.

 

            7ª temporada

            Resumo: aqui há dois problemas. O primeiro é que Dexter lida com um integrante da máfia russa que sua irmã Debra (Jennifer Carpenter) simpaticamente o chama de “Exterminador”. E o segundo é o fato dela descobrir o grande segredo de seu irmão.

            O que achei: comparando com outras séries, creio que sétima temporada é como terceiro filme: há 90% de chance de sair ruim. E no caso de Dexter o que a torna ruim não é o russo, o desandar do relacionamento do detetive Quinn (Desmond Harrington) ou o segredo revelado. O grande “fail” do seriado foi a entrada da personagem Hannah McKay (Yvonne Strahovski). Poxa… ela é assassina e o Dexter não a mata. O pai dela tenta extorqui-la e o Dexter enfia a faca nas tripas do sujeito? Como assim???

Quinn e Debra (Desmond Harrington e Jennifer Carpenter)

Quinn e Debra (Desmond Harrington e Jennifer Carpenter)

            8ª temporada

            Resumo: na tão esperada e anunciada oitava temporada, temos o desfecho de como Harry criou o código e um novo assassino, o Neurocirurgião.

            O que achei: fraca. Aqui os produtores tentaram reproduzir um pouco do sucesso da terceira dando um novo discípulo para Dexter e o que é mais engraçado, matar um vilão e mais tarde descobrir que o modus operandi dele era também de outra pessoa. O fim da série em minha opinião, deixa muito a desejar.

***

            Não serei um daqueles fãs chatos que diz “ah eu já sabia” para tudo agora que a série acabou. Realmente ela me surpreendeu em muitos aspectos e a parte que eu menos gostei foi a que mais me ajudou a refletir. Em muitas temporadas, Dexter conhece as pessoas e encontra um pouco de si nelas ao ponto de admitir “ele(a) é igual a mim”. Daí fica a questão: será que todos nós, principalmente pessoas que vivem nesse Brasil de séc. XXI, temos um desejo psicopata de nos livrarmos daqueles que odiamos ou de pessoas que acreditamos que fazem o mal para os outros?

Obrigado pela leitura.

A nova cara do Magic

por Rafael “Lionheart” N . S.

 

Olá a todos(as).

Bom, quem acompanha Magic desde o começo já viu varias mudanças. Algumas bem sutis (como a definição do que cada cor faz ou a até legiões que criaturas tinha somente um tipo como elfo ou guerreio, e a partir de Mirrodin passaram a ter “raça” e “classe” como elfo guerreiro), outra mudanças apenas incrementos (dar nome a habilidades como vigilância, resistência a magia, etc.) e algumas mais drásticas (como as lendárias, que antes eram subtipos de criatura, agora são um tipo de card, e atualmente a mudança nas regras das lendas e dos planeswalkers).

Elfo

Para quem acompanha ou participa de torneios deve ter percebido uma grande e sutil mudança.

Thassa, God of the Sea.full

Tivemos (com grandes índices de vitoria) um mono blue focado no ataque e o que surpreendeu muitos, um Naya control. O deck Naya (vermelho, branco e verde) sempre associado ao aggro, foi uma supresa aparecer como nome de control, e ainda mais ao ser um dos primeiros colocados.

Anger of the Gods.full

Como eu disse, uma mudança drástica em relação as cores (decks antes de controle atacando como aggros e aggros como controle)?

Isso se deve a mudança sutil, que poucos notaram.

No lançamento das novas coleções, percebemos um crescimento maior em cards contra anulações, e na diminuição das anulações em si. Para jogadores mais antigos, principalmente os que gostam de jogar com um deck Control (com azul na sua cor principal), estão vendo que esse tipo de deck está meio que caindo nos torneios.

Na época de Lorwin, o controle mono blue (com ardil na maioria dos deck) era um dos mais bem vistos.

Guile.full

Já hoje, com altos custos para as principais anulações, e muitos cards com efeitos que não podem ser anulados, usar azul como principal fonte de controle, já não é tão interessante.

Cavern of Souls.full

Segundo fontes, isso tudo faz parte da estratégia da Wizards visando novos jogadores.

Pensem no cenário; você iniciando sua carreira de Magic, e dando de cara com decks que só anulam suas cartas.

Ter as primeiras experiências com jogadas frustradas desanimam os novos jogadores.

Apesar de ainda termos muitas opções para controle elas são mais para tirar as cartas do campo de batalha do que impedirem de entrar. Por mais que ainda seja um pouco frustrante, você ter cartas destruídas, e menos frustrantes do que anuladas. Já que muitas têm efeito ao entrar ou sair de jogo, ou mesmo podem ter efeitos ativados em resposta.

Não só cartas com anulações como as de destruição de terreno também tiveram o mesmo impacto e ainda maior. Afinal, anular uma carta você ainda tem como burlar, mas jogar sem terrenos é mais complicado.

Demolish.full

Fora a Wizards ter reduzido os cards de destruição de terreno, e aumentado seus custos de mana, muitos campeonatos penalizam decks focados em destruição de terreno.

Essas mudanças, no geral, além de não desmotivar os novos jogares, estão sendo verdadeiras reviravoltas no jeito de jogar Magic, principalmente no standart.

Resta ver, como serão as próximas coleções, e quais mudanças ainda teremos pela frente.

Obrigado a todos(as).