Dupin – O detetive de Poe

Por Davi Paiva

 

Não é preciso muito estudo para saber que o escritor americano Edgar Allan Poe (1809 – 1849) foi um gênio. Seu poema O Corvo é aclamado, além de ter muitos estudos sobre ele assim como a crítica literária o considera um dos melhores contistas da história, que inspirou outros grandes nomes como Machado de Assis a criarem as suas obras.

Em minha modesta opinião, a qualidade de seu poema bem como obras como O Gato Preto O Escaravelho de Ouro ou A Máscara da Morte Rubra quase ofuscam três contos dele que não só são tão bons como qualquer outro como têm algo de especial. Eles mudaram todo o panorama literário e criaram o gênero policial que Arthur Conan Doyle, Agatha Christie e outros seguiram.

Quase.

Em 1841, 1842 e 1844, Poe escreveu respectivamente três contos: Os Assassinatos da Rua Morgue, O Mistério de Marie Roget e A Carta Roubada. Neles, conhecemos o parisiense C. Auguste Dupin, seu detetive que com o narrador-personagem cujo nome não é apresentado, desvendam crimes fazendo uso da dedução que se tornou mundialmente famosa em 1887 com O Estudo em Vermelho, de Arthur Conan Doyle (sim, caros leitores: Dupin pode ser considerado o pai de Holmes e avô de Poirot e Marple, personagens de Agatha Christie). Vou falar de um conto de cada vez para termos uma melhor compreensão.

 

Os Assassinatos da Rua Morgue

Este conto é aberto com os primeiros cinco parágrafos com uma longa dissertação de Poe sobre a análise criminal e a hipótese dedutiva. Algo muito bom de se ler para escritores que queiram começar a produzir contos policiais uma vez que o espaço que um romance dispõe é muito grande para se desenvolver uma trama enquanto o conto não possui o mesmo tamanho (ou não deve possuir, tradicionalmente).

Ao término da dissertação, conhecemos o personagem Dupin, membro de uma família de grandes riquezas que por questões particulares, rompeu contato com os parentes e vive de uma pequena quantia que herdou deles ainda que precise evitar gastos desnecessários e assim é apresentado ao personagem que narra a história para dividirem o aluguel de um casarão (alguém lembrou de uma dupla na Baker Street..?).

Os dois têm um relacionamento bom, onde ambos reconhecem as virtudes um do outro. O narrador fica admirado com a vasta coleção de livros de Dupin e do conhecimento que este possui. Outra coisa que eles têm em comum é o gosto pela noite, perambulando pelas ruas da capital francesa ao anoitecer ou fechando as janelas do casarão durante o dia para simularem que não é dia (uma forma peculiar de Poe de manter a presença do gótico em uma história policial).

A primeira vez em que Dupin usa de sua dedução na história é em uma passagem em que ele e o narrador andam pelas ruas e deduz o que o amigo está pensando. O espantado narrador pede a explicação de como ele fez isto e o protagonista da história faz, dando ao leitor uma prévia do que está por vir.

O crime a ser investigado começa quando eles leem um jornal relatando o caso: mulher e filha encontradas mortas em casa, sendo a mãe com a cabeça quase decapitada e a filha com marcas de estrangulamento no pescoço e colocada de cabeça para baixo dentro da chaminé. No conto, a nota do jornal é escrita com os mínimos detalhes acompanhada do depoimento de pessoas próximas das vítimas e como uma das pessoas que depôs acaba presa pela suspeita de ser o assassino, Dupin pela dívida de gratidão que tem com este indivíduo por serviços prestados anteriormente se vê obrigado a agir. O resultado é incrível: fazendo uso dos depoimentos e de uma pequena investigação, o protagonista descobre quem é o assassino (e ninguém poderia suspeitar quem matou estas mulheres!) e mais tarde, através de uma emboscada descobre o motivo.

 

 O Mistério de Marie Roget

Pelo que entendi deste conto e nas notas de rodapé do exemplar em que o li, ele é baseado em um crime real nos EUA que Poe tentou desvendar através de sua obra, mudando o nome das pessoas envolvidas e ambientando-o em Paris. O fator que envolve Dupin a investigar o caso é que o crime parece ter chocado a comunidade parisiense, visto que Marie Roget (vulga Mary Rogers) era muito querida e sua morte foi brutal.

É um conto absurdamente longo, onde o caso não chega a ser resolvido e Poe é mencionado como autor do artigo que circula nos jornais parisienses, dando desfecho ao conto. O que vale a pena ser visto é novamente a forma como Dupin analisa os fatos a partir das notas nos jornais e elimina as hipóteses ou constrói as suas.

 

A Carta Roubada

Não sei se foi por eu ter lido uma obra adaptada antes de ler este conto, mas ele me pareceu mais fácil de entender do que O Mistério de Marie Roget. Além de ser uma obra diferenciada dos demais contos de suspense por já sabermos quem é o culpado, todavia ainda ter um mistério: um político rouba uma carta com informações importantes na frente de outras pessoas, só que no momento do crime por questões diplomáticas ninguém o pede para devolver e ele faz uso das informações contidas nela para chantagear uma pessoa poderosa. A polícia é acionada para recuperar a carta e fazem uma revista secreta na casa dele, nas casas vizinhas e até mesmo simulam assaltos ao tal político supondo que ele sempre estivesse com a carta consigo. Como nada dá certo, até o inspetor oferece uma quantia em dinheiro do próprio bolso. Este é o único caso em que Dupin aceita pagamento, além do fato que sua outra motivação vem de uma desavença com tal político e assim ele une o útil ao agradável: ganhar uma boa quantia em dinheiro e se vingar.

 

 

Minha opinião: há muito tempo eu ouvi falar que a mitologia grega é a única coisa original no mundo literário e tudo remete a ela. Até vi umas provas disto. Portanto se esta afirmação é verdade, pensem o quanto é difícil você criar algo do zero. Sem ter referências nem um autor para você ter um parâmetro. Eu mesmo escrevo contos baseados em livros, músicas, filmes e seriados que vejo e penso que a história teria ficado melhor se fosse de um determinado jeito. Agora criar um gênero? Não consigo.

O que Poe fez nestes três contos está acima de qualquer comentário. Já não tenho mais palavras para dizer o quanto ele foi grandioso. Fico feliz que um homem como ele viveu e escreveu no tempo certo. Nos dias atuais, onde o público quer as informações mais mastigadas, rápidas ou só leem pela força do marketing, ele teria sido crucificado pelo tamanho dos parágrafos iniciais de Os Assassinatos da Rua Morgue ou pela extensão de O Mistério de Marie Roget e talvez, pela trama diferenciada de A Carta Roubada. Ele era um homem que criou algo novo no tempo certo, mesmo sendo um sujeito a frente de sua época pela sagacidade e técnica, coisas que considero importantes para pessoas que queiram começar a escrever e ficam por aí achando que o escritor tem que ser aquele cara que fica em devaneios causados pelo vinho e o cigarro ao lado da folha em branco enquanto ouve um jazz e vomita no papel termos complexos.

Indicado para: quem gosta de romances policiais e/ou pessoas que queiram começar a escrever contos.

Edgar Allan Poe (1809 – 1849)

Edgar Allan Poe (1809 – 1849)

Meus livros

Meus livros

Nota: para escrever este artigo, li o livro Antologia de Contos Extraordinários, publicado pela BestBolso e usei a obra Histórias Extraordinárias da Larrousse para A Carta Roubada.

Boa leitura!

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Livro: O Cordeiro

Por Davi Paiva

Oi, pessoal. Tudo bem? Espero que sim.

Hoje eu vou falar desta obra que conheci aos 20 anos, mas por questões econômicas só pude ler uns 2 anos depois e quando eu pegava trem com um amiga, ela sempre se queixava “desta capa ridícula”.

O Cordeiro

O Cordeiro

“O Cordeiro” de Christopher Moore para alguns equivale à série Guia do Mochileiro das Galáxias. Porém a meu ver são livros de categorias diferentes. Enquanto a obra de Douglas Adams fala de viagens pelo tempo e espaço em meio ao livro mais útil do universo, a obra de Moore é uma tentativa de mostrar como foi a vida completa de Jesus Cristo incluindo de forma bem humorada. É narrada em primeira pessoa por Biff, vulgo Levi cujo apelido “deriva de uma gíria nossa para um cascudo na cabeça, algo que minha mãe dizia que eu precisava ganhar pelo menos uma vez por dia, desde muito pequeno” (palavras dele).

O autor, Christopher Moore

O autor, Christopher Moore

Minha opinião: religiosos mais radicais vão odiar este livro. Não sou religioso, contudo sei que muito da vida de Cristo não está na bíblia e Moore tentou preencher estas lacunas com viagens para o Himalaia onde Jesus e Biff conhecem o Abominável Homem das Neves (???) e eles aprendem Kung Fu (só que como o menino de Nazaré não queria ferir pessoas, desenvolveram uma arte marcial específica pra ele: o judou), além de outras coisas, umas realmente legais e outras mais engraçadas dos que as que citei.

Indicado para: pessoas que não se importem com piadas sobre religião ou que nunca pararam pra pensar como foi a vida completa de Cristo.

Boa leitura!

Livro – Oliver Twist

Por Davi Paiva

 

Certa vez, vi a frase “clássico é aquele livro que todos conhecem, mas poucos leem”. E já ouvi falar muito deste livro. Portanto ao contrário de Crepúsculo, 50 Tons e outros “besta sellers”, resolvi ver o que ele tem de tão especial para ter ficado na cabeça de tantas gerações.

Charles John Huffam Dickens (18212 1870)

Charles John Huffam Dickens (18212 1870)

A obra escrita pelo autor britânico Charles Dickens entre 1837 e 1839 fala o personagem-título da obra, um garoto que vive em um orfanato e sofre maus tratos. Foge de lá e passa por apuros vivendo com criminosos ou fugindo dos mesmos. Ao mesmo tempo, outros personagens ao redor dele buscam resolver os seus problemas pessoais e outros relacionados a Oliver. O livro também possui adaptações para o cinema de 1948, 1968, 1997 e 2005.

Oilver Twist (Ediouro)

Oilver Twist (Ediouro)

Minha opinião: a obra é boa. Oliver é um chorão carismático que quando você conhece, tem pena dele. Infelizmente fui obrigado a dar uma pausa na leitura da obra e quando retomei, era justamente na parte em que Oliver dá uma sumida da história e mostra o que houve com os outros personagens, o que quebrou um pouco o meu ritmo de leitura. Porém como tudo remete a ele no final, vale a pena ler este livro sem intervalos.

Indicado para: quem quer imaginar como seria se o Pequeno Príncipe fosse jogado no mundo real que conhecemos.

Boa leitura!

Arquétipos dos Decks de Magic

Por Rafael Lionheart

Arquétipo é o modelo, ou seja, a linha de pensamento que o deck segue. Isso ajuda tanto na montagem dos decks quanto para montar uma estratégia contra ele. Normalmente os arquétipos costumam refletir a personalidade dos seus donos.

Basicamente existem dez arquétipos de decks.

AGGRO

Aggro

Aggro

TODO MUNDO ESPANCANDO AGORA!!!

Aggro é uma abreviação de agressivo(aggressive em inglês). Esse deck costuma ter criaturas de baixo custo, e causar o máximo de dano no menor espaço de tempo possível.

Decks Aggro sofrem em partidas que acabam durando vários turnos, e contra decks com vários removal.

COMBO

Juntar duas ou mais cards que sozinhos são razoáveis, mais juntas formam um grande estrago.

Combo

Combo

Esse é um deck do tipo matar ou ser morto rapidamente. Bem montando, o combo costuma vir facilmente na mão (naturalmente ou sendo buscado) o que permite uma vitória rápida.

Infelizmente a perca de uma parte do combo (por ela não vir, ou o oponente destruindo/exilando/fazendo descartar,etc.) acaba deixando a chance de vitória quase nula.

CONTROLE

Como o próprio nome já diz, você controla a mesa do jogo. Decide o que entra e o que fica em campo de batalha.

Controle

Controle

A vantagem desse tipo de deck é que enquanto você tiver combustível, você decide se o jogo flui ou não.

A principal desvantagem, é que nem sempre você terá como impedir o avanço do(s) oponente(s).

Alguns exemplos de card para deck de controle são: Árbitro-Mor Agostinho IV;Teferi;Dia do Julgamento.

Esses três primeiros são os mais conhecidos e mais usados em torneios. Entretanto, existem outros arquétipos menos conhecidos, que são:

GRIEFFER

Grieffer

Grieffer

Um deck onde a principal graça é você montar uma armadilha para quebrar as estratégias do oponente.

Diferente do “Deck Controle” esse costuma mais destruir o que esta em campo do que impedi-lo de entrar.

Infelizmente esse deck conta muito com o que o oponente usa. O que acaba fazendo que varias cartas sejam inúteis contra certos tipos de deck

TRIBAL

O mais comum dos Decks ao meu ponto de vista. Formado por criaturas de um mesmo tipo que normalmente se ajudam.

Tribal

Tribal

A principal vantagem, é que muitas cartas funcionam em sozinhas, mas junto com seus “irmãos” elas ficam ainda mais poderosas. Cada novo membro multiplica a força do exercito.

Apesar de muito forte, um deck tribal depende de suas criaturas. Remoções (principalmente globais) são um grande perigo para esse tipo de deck.

Alguns exemplos de tribos são: Elfos; Goblins e Soldados.

GOOD STUFF

Basicamente um amontoado de cards que você considera boas em jogo.

GOOD STUFF

GOOD STUFF

A grande vantagem desse tipo de deck, é que as castas são tão poderosas que jogam sozinhas. Mesmo uma sendo impedida de entrar as outras não sentirão sua falta.

A única desvantagem, é que ele não tem exatamente uma estratégia nem de ataque nem de defesa. Caso o oponente use algo que pare seu deck (afinal você não poder atacar, num deck que se tenha só criaturas, por mais fortes que sejam não fará muito)

NOSTALGIC

O deck se baseia num card, que por fim representa seu dono.

Nostalgic

Nostalgic

Quando alguém fala do deck, fala do seu general, e por conseqüência, de você.

Esse é um deck bem imprevisível, já que nem todos conhecem o “líder” do deck, seu estilo e muito menos todas as cartas que ele representa.

Infelizmente o deck acaba sendo uma faca de dois gumes, já que sendo temático, você se limita não colocar cards que não tenham a ver com o deck, por melhor que elas sejam.

GROUP HUG

Um deck voltado mais para o multiplayer. Ao invés de você atacar diretamente, você beneficia outros jogadores para que eles façam o serviço pra você.

Group Hug

Group Hug

A vantagem desse deck é que, a menos que seja algo pessoal contra você, você será o ultimo a ser atacado, já que esta beneficiando o seu adversário.

Infelizmente, fazendo isso, você acaba deixando por ultimo o oponente mais forte da mesa, e ainda por cima com os bônus que você deu a ele.

VOLTRON

Já imaginou brincar de super sentai, juntar as armas e acabar de uma vez com o vilão?

VOLTRON

VOLTRON

A vantagem, é que normalmente um único ataque é suficiente para acabar com o oponente. Você deixando seus equipamentos e “bombar” em jogo e quando finalmente resolve atacar, é o suficiente.

Porém se a criatura escolhida para o ataque final for aniquilada, é como puxarem o cabo do video-game.

RECURSION

Você sabe que vai ter alguma cólera no próximo turno. Sempre tem. E você está pronto para ela.

Esse deck costuma estar mais preparado para contra atacar dos que os outros, parecendo sempre estar pronto para o que vier.

Costuma ser mais fraco contra um deck feito contra ele.

Claro que é possível fazer um deck com mais de um arquétipo, mas sempre um deles acaba se sobressaindo.

Livro – O Vampiro que Descobriu o Brasil

Por Davi Paiva

 

Depois de ler Abraham Lincoln – O Caçador de Vampiros, fiquei impressionado como o autor conseguiu colocar um fato fictício dentro do real e nos ensinar um pouco de história. Imaginem a minha surpresa quando o colaborador deste blog, Rafael Lionheart, me indicou este livro escrito pelo autor Ivan Jaf?

O autor, Ivan Jaf

O autor, Ivan Jaf

O livro fala de Antonio, um dono de uma taverna que em 1500 é mordido por um vampiro conhecido apenas como O Velho e tem o poder possuir corpos de pessoas importantes na história. Depois de se transformar e ver que não queria a imortalidade e todos os parâmetros de vida de vampiro se não podia mais tomar vinho e comer bacalhau (!!!), ele é obrigado a perseguir o responsável pela sua sina, que por sua vez embarca na esquadra de Cabral. Em todas as suas andanças pelo país, Antonio vai passar 500 anos vendo toda a história do Brasil.

O Vampiro que Descobriu o Brasil (ed. Ática)

O Vampiro que Descobriu o Brasil (ed. Ática)

Minha opinião: se me lembro bem, meu amigo leu este livro na escola. E quando o li achei uma obra ideal para instruir um aluno sobre a história de nosso país de forma curta (o livro não é muito extenso. O meu exemplar mesmo tem 111 páginas) e divertida, além de ter umas jogadas de lógica para explicar os poderes do Velho (imune à crucifixos por viver um Portugal, um país de forte presença católica) do Antonio (que por viver em um país tropical, se acostumou com o sol) e da mula de Antonio, que de tanto ele sugar o sangue dela, ela virou um vampiro que quando foi decapitada, ainda passou uns dias zanzando por aí e daí surgiu a lenda da Mula Sem Cabeça (!!!!!).

Indicado para: pessoas que queiram ler algo sobre a história de nosso país de forma bem humorada.

Boa leitura!