#PartiuOutrosRumos

Alguns dias atrás na extrema pura falta do que fazer abri esse blog e devo dizer que fico surpreso que ATÉ HOJE temos visitantes e um ou outro comentário.

Em primeiro lugar quero agradecer a todos que leram, comentaram e compartilharam as nossas postagens e como podem ver, faz muito tempo que não postamos nada porque não arrumamos tempo. E não é questão de “não ter tempo”, pois minha ideologia pessoal é de que nunca temos tempo para nada e então somos obrigados a acordar cedo e escrever nem que seja uma página por dia de um livro que queremos ver publicado… se quisermos que ele seja escrito.

Além disso, as diferenças de planos para administrar o blog e dicotomias de personalidades me impediram de continuar aqui. Cada um tinha uma premissa para o blog que infelizmente, não deu muito certo.

Quem quiser, pode continuar vendo os meus trabalhos no blog Overshock ou Detonerds. Na dúvida, me procurem no facebook ou me mandem e-mails (davi_paiv@hotmail.com). Modéstia a parte, estou crescendo no mercado literário e se você veio até aqui, é porque gosta de ler o que escrevo. Então por que não continuar lendo?

Mais uma vez obrigado e como diz o Chapolin… sigam-me os bons!

 

Att,

Davi Paiva.

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Livro: Crônicas dos Kane

Por Davi Paiva

 

Oi, pessoal. Tudo bem?

Às vezes um autor vende o livro pela sua qualidade literária. O seu estilo de escrever nos atrai ainda que um trabalho seja melhor que o outro. E o que me levou a ler a série Crônicas dos Kane de Rick Riordan (Ed. Intrínseca) é algo bem óbvio: o fato de eu ser um leitor da saga de Percy Jackson.

O autor, Richard Russell ''Rick'' Riordan, Jr.

O autor, Richard Russell ”Rick” Riordan, Jr (sempre ele!).

A aquisição dos livros foi em doses bem homeopáticas: lembro que os dois primeiros eu adquiri em trocas no centro da cidade e o terceiro foi o único que comprei em uma livraria. Todavia só fiz a leitura depois de ver que todos saíram e ter todos em mãos. Assim não precisei esperar pelas continuações nem depender de um tempo livre para comprar.

Para quem não conhece, a série Crônicas dos Kane conta a história dos irmãos Carter e Sadie, dois jovens que só se veem duas vezes por ano (o garoto é criado pelo pai, um egiptólogo que viaja muito pelo mundo enquanto a garota é criada pelos avós maternos em Londres) e graças a uma experiência mágica do pai eles vão embarcar em uma jornada pelo mundo da mitologia egípcia em cenário atual envolvendo magos, deuses e babuínos jogadores de basquete (??).

Os três livros das Crônicas dos Kane: A Pirâmide Vermelha, O Trono de Fogo e A Sombra da Serpente

Os três livros das Crônicas dos Kane: A Pirâmide Vermelha, O Trono de Fogo e A Sombra da Serpente

Vamos a um raio X dos livros:

            Livro 1 – A Pirâmide Vermelha

            Ano de publicação: 2010.

            Resumo: no primeiro volume conhecemos os personagens principais e seus aliados. Também é revelado como funcionam os seus poderes e quem será o verdadeiro inimigo.

            Avaliação: é um primeiro livro bem típico de literatura infanto juvenil e uma fórmula de Harry Potter e Percy Jackson: faça o personagem conhecer o mundo e consequentemente os leitores também conhecerão, além de apresentar um inimigo e outro ainda maior. Pode chamar de clichê, mas dá certo.

 

            Livro 2 – O Trono de Fogo

            Ano de publicação: 2011.

            Resumo: os irmãos Kane agora procuram não só comandar o 29º nomo e o aprendizado dos novos magos como também têm que lidar com a missão deles, além de outras missões pessoais (como a de Carter em busca de sua amiga/namorada que conheceu no primeiro livro, Zia Rashid).

            Avaliação: creio que nesse livro Riordan mostra que é exatamente um escritor que escreve “livros para vender (não gosto muito desse termo. Pois todo livro é feito para vender e a compra é opcional. Ninguém aponta armas para os compradores na livraria)” e sim que ele procura agradar a gregos e troianos (engraçado falar isso de um livro que apresenta mitologia egípcia) colocando em um só livro o essencial para um livro infanto juvenil para garotos (com uma aventura e um guerreiro escolhido) e também para garotas (ser o foco de um triângulo amoroso de dois personagens considerados atraentes pela garota. Estou sentindo um cheiro meio… crespuscular nessa história, se é que me entendem).

 

            Livro 3 – A Sombra da Serpente

            Ano de publicação: 2013.

            Resumo: no último livro, os irmãos Kane e seus aliados lutam para impedir o fim do mundo, além de ajudarem um deus antigo a se reerguer definitivamente.

            Avaliação: uma coisa tenho que admitir: R. Riordan sabe criar uma batalha final épica. Idas e vindas pelo Duat além de um monte de um monte de situações em que os personagens passam torna o final muito interessante. Não dá para dizer “eu esperava mais” porque tudo está ali.

 

Especial – O Filho de Sobek

Observação: não possui impresso.

Resumo: nele temos o encontro de Carter Kane com Percy Jackson (preciso dizer mais???).

Avaliação: ao ler o volume 1, o tio de Carter e Sadie diz que Nova York é o lugar de outros deuses assim como no volume 2 Carter alega ter visto um “cavalo voador” perto do Empire State e no volume 3, Sadie vai a um baile e conhece Drew, a ex-líder do chalé de Afrodite no Acampamento Meio-Sangue. Ou seja: Riordan queria deixar claro que as histórias dos Kane e de Percy se passavam no mesmo mundo. E considerando que eles vivem na mesma cidade… uma hora um encontro era inevitável. O que gostei é que tal ato teve um ligeira briga e desconfiança de ambas as partes. No fim Carter deixa uma magia na mão de Percy e diz:

“— Apenas diga meu nome — eu disse a ele, — e eu vou ouvi-lo. Eu vou saber onde você esta, e vou encontrá-lo. Mas só vai funcionar uma vez, então tome cuidado”

Creio que muitos fãs esperam por tal encontro no último livro da série Os Heróis do Olimpo, certo?

Então só nos resta aguardar…

 

Avaliação total: mais “chosen one”, impossível.

Carter e Sadie têm descendência de ambos os pais em famílias de magos antigas e poderosas e a história deles é bem semelhante à da mitologia egípcia. Logo não é a toa que eles adquirem um incrível poder que abdicam no primeiro livro. Mas sejamos francos: bem que eles fazem uso nos demais livros quando precisam…

Como eu disse, é uma obra que surpreende tanto pelo tamanho (3 volumes) quanto por criar ambientes de identificação entre meninos e meninas, assim como o entrelace que dá com a saga de Percy Jackson. Segundo o que ouço por aí tal encontro acontecerá no último livro de Heróis do Olimpo… só que não vou botar a mão no fogo. Quem leu o meu artigo sobre O Herói Perdido sabe o quanto fiquei surpreso ao ver que a saga de Percy Jackson não havia acabado.

 

Obrigado a todos(as).

Livro: Fábulas do Tempo e da Eternidade

Por Davi Paiva

 

Confesso que achei um pouco triste o dia em que conheci a autora e a obra. Era uma sexta-feira, 13 de dezembro de 2013 quando a Tarja Editorial fez uma liquidação de seus livros depois de declarar o fechamento de suas portas.

Como escritor nacional, sei o quanto é difícil encontrar uma editora brasileira que dê oportunidades a autores nacionais e fui para lá na esperança de comprar livros de antologias steampunk e/ou cyberpunk. Contudo ao ver aquele pequeno livro, fiquei um pouco atraído. E qual foi a minha surpresa ao saber que a autora Cristina Lasaitis estava no local e se dispôs a tirar minhas dúvidas e após a compra, me deu o privilégio de autografar o meu exemplar e ainda tirar uma foto comigo. Simplesmente demais! E depois tem gente por aí que não concorda em aparecer em eventos do próprio livro. Novamente o meu lado escritor dá um pitaco para dizer que todos nós temos uma vida pessoal corrida. Por outro lado aparecer em eventos, dar palestras e ir a feiras de autógrafos é algo que o escritor precisa fazer sempre que tiver condições. Isso não só o ajuda em seu lado comercial como cria vínculos de autor e apreciador de seu trabalho. Não é mesmo?

A autora, Cristina Lasaitis

A autora, Cristina Lasaitis

O livro Fábulas do Tempo e da Eternidade (Cristina Lasaitis, 2008, Tarja Editorial) é uma coletânea de 12 contos sobre ficção científica bem hard. Fala de experiências com realidade virtual, física, viagens temporais, misticismo, anjos caídos e elementos de informática como biochips e inteligência artificiais de um modo que não condiz com o formato do livro. É como se ao abrir um pequeno volume liberamos um jorro de informações que estavam lá presas por correntes.

Comecei a leitura em janeiro de 2014 e escrevo esse artigo no mesmo dia em que a terminei. Abaixo vocês podem ver uma entrevista que faço com a autora. Desde já, digo que é um grande privilégio como autor de um blog simples poder ter atenção de uma autora e que ela conceda alguns minutos para responder a uma entrevista.

            EAM: vamos começar sobre a sua formação como escritora: quais obras leu que a ajudaram a escrever tão bem, quais cursos ou oficinas você fez e quem foram seus grandes professores para chegar até aqui.

Cristina: Em primeiro lugar, obrigada pelo “escrever tão bem”. O esforço que desempenhei e os bons conselhos que recebi na última década, quando decidi me voltar à literatura, contribuíram muito, certamente, mas acredito que a educação que recebi a vida toda foi importante para me formatar e me dar conteúdo como escritora. Não sou uma leitora voraz de ficção desde pequena, mas desde aquela época estudava bastante, me interessava por ciências, tive a oportunidade de cursar boas escolas e hoje percebo que ter essa base fez toda a diferença – embora só isso não fosse o suficiente. Quando resolvi que queria escrever um romance, há dez anos atrás, percebi o quanto era difícil colocar uma história no papel; eu era muito inexperiente e me sabotava com meus erros. Percebi que precisava me tornar uma escritora para conseguir contar a história que queria. Comecei pelo começo: passei a estudar literatura, ler muito e sobre tudo, fui fazer oficinas, comecei a treinar minhas habilidades narrativas com contos. Esse é o começo que recomendo a todas as pessoas que sonham em ser escritores de ficção. Não digo que tive “grandes professores”, mas sempre é útil ler, ouvir e prestar atenção no que tem a dizer os escritores muito mais experientes e premiados que você.

 

            EAM: como surgiu a ideia de produzir o livro? Ele é uma coletânea de seus trabalhos em outras antologias ou já era um projeto que você tinha em mente e que os editores (Richard Diegues e Gianpaolo Celli) resolveram investir?

Cristina: Eu tinha começado a treinar minha escrita com contos – alguns que publiquei em um blog criado pelo Richard Diegues, numa espécie de vitrine literária/ oficina de escrita. Um ano depois eu percebi que podia juntar os melhores textos, escrever mais alguns e compor uma coletânea. Foi assim que surgiu o Fábulas do Tempo e da Eternidade. Foi praticamente o primeiro livro de autoria exclusiva lançado pela Tarja em 2008 (juntamente com o Kara & Kman da Nazarethe Fonseca), e ganhou uma segunda edição mais bonita em 2010.

Edição de 2010 do livro Fábulas do Tempo e da Eternidade

Edição de 2010 do livro Fábulas do Tempo e da Eternidade

            EAM: conte-nos um pouco sobre a produção do livro: quanto tempo levou? Você tinha muitos auxiliares pesquisando coisas sobre física quântica ou civilizações incas? Quais foram as reações dos leitores beta [leitores que leem o livro antes dele ser publicado. Às vezes apontam erros ortográficos e/ou de pontuação e falhas na narrativa]? E os editores?

Cristina: A produção dos contos levou cerca de um ano; as postagens no blog eram mensais e eu me obrigava a produzir ao menos um conto por mês. Confesso que eu era mais livre quando entendia ainda menos de física quântica e outras matérias “hard”, sobre as quais escrevia sem muitos pudores… Se fosse hoje eu não teria produzido alguns daqueles contos, ou eles seriam bem diferentes. Alguns contos tinham sido publicados previamente num blog, e a opinião dos leitores me ajudou a aprimorá-los para o livro. Ainda assim, antes da publicação, substituí dois contos de última hora – uma decisão que tomei por conta do “efeito-gaveta” (percepção que você cria da obra depois de um período de distanciamento). O conto que fecha o livro, Meia-Noite, foi concluído na madrugada do dia combinado para que eu enviasse a versão final.

 

            EAM: como foi a reação de parentes e amigos quando lançou? Houve crítica positiva e/ou negativa? Outras pessoas que nem conhecia entravam em contato com você para dizer o que achavam?

Cristina: Fiquei feliz porque o lançamento contou com a presença de mais gente do que eu esperava. A repercussão do livro ficou maior quando foi resenhado na revista Carta Capital pelo Antonio Luiz M.C. Costa, a partir de então comecei a receber contatos do Brasil inteiro; gente que queria comprar o livro, pedir autógrafo, trocar figurinhas… E foi muito interessante ouvir a opinião dos leitores, saber quais eram as histórias que eles mais gostavam, quais menos gostavam, quais delas gostariam de ver transformadas em romance… Também passei a exercitar com bastante atenção o ouvido para as críticas, pois em muitos casos elas são feitas com razão.

 

            EAM: um livro solo é um sonho de qualquer contista. Como se sentiu e como se sente até hoje? O que mudou de lá para cá?

Cristina: De certo modo foi um divisor de águas na minha vida, pois antes disso eu me entendia como escritora amadora, e desde então eu passei a me considerar – e a me cobrar uma postura de – profissional. Não apenas o livro que publiquei, mas todo o universo literário e artístico que o acompanha foi decisivo na minha vida, pois ela mudou totalmente: fiz a transição completa da carreira de pesquisadora biomédica para a dedicação exclusiva na área editorial. Não enriqueci, não fiquei famosa nem popular, nem sequer saí da casa dos pais… Mas me sinto feliz e otimista trabalhando com literatura.

 

EAM: você ainda colhe frutos desse trabalho?

Cristina: Embora eu não tenha publicado outros livros nesse tempo, o Fábulas ainda desperta interesse nos leitores e me abre algumas portas no mundo editorial, seja como escritora ou revisora/preparadora.

 

Cristina me dando o privilégio de um autógrafo...

Cristina me dando o privilégio de um autógrafo…

            EAM: dos contos publicados nessa antologia, o que mais gostei foi o quinto, Assassinando o Tempo. Toda a física nele me pareceu realista e todo o sufoco que a protagonista passou para construir o aparelho ficou bem calcado na realidade. E você, qual dos doze foi o que mais gostou de ver escrito e por qual motivo?

Cristina: Eu sou a pessoa mais suspeita do mundo para avaliar, eu gosto de todos. Mas tem alguns contos que permanecem muito vivos na minha cabeça, pois há o projeto de transformá-los em romance.

 

            EAM: ainda sobre o quinto conto, certa vez li em um artigo da Revista Língua Portuguesa que alguns autores escreveram sobre coisas que mais para frente se tornaram realidade. Como se sentiria se soubesse que daqui a 50 anos ou mais o aparelho construído por Claudia Mansilha seja construído?

Cristina: Já dei um chute certeiro uma vez e fiquei muito surpresa, pois era uma ideia despretensiosa. O primeiro conto que publiquei, O Homem Atômico, tratava de um programa nuclear brasileiro do governo Geisel – uma ideia totalmente fictícia para mim. Quando escrevi simplesmente pensei que, dos nossos generais da ditadura, o Geisel foi o que mais gostava das obras faraônicas; logo, nada mais natural que ele fosse o padrinho de um programa nuclear brasileiro, caso houvesse um. Qual foi minha surpresa quando, meses atrás, abri o Estadão e me deparei com a notícia de que o Geisel realmente pensou em desenvolver um programa nuclear!

Quanto ao Correio do Não Tempo da Cláudia Mansilha, imagino que é um chute bastante fictício, dada a gambiarra teórica formulada para o conto. Eu mesma não acredito que o futuro já esteja “escrito”. Mas… quem sabe haja uma forma de acessarmos o conteúdo do passado? O Philip K. Dick tem uma teoria muito interessante sobre como o universo poderia arquivar informações do passado (e parece que ele realmente acreditava nisso, segundo consta em suas biografias), quem sabe ele esteja certo e um dia consigamos acessá-las?

 

            EAM: outra coisa que gostei muito em seus textos é que eles são interligados. O aparelho de Assassinando o Tempo é usado como meio de comunicação em Os Parênteses da Eternidade, que mencionam os biochips usado pela protagonista de Meia-Noite assim como o trabalho dos personagens de Nascidos das Profundezas seja mencionado em Os Irmãos Siameses. Como surgiu essa ideia?

Cristina: Parabéns por ter notado, ninguém havia comentado isso antes. Algumas histórias se passam claramente em um mesmo universo (Além do Invisível e Meia-Noite, Nascidos das Profundezas e Irmãos Siameses, Assassinando o Tempo e Os Parênteses da Eternidade), mas há “objetos partilhados” e “passagens secretas” entre universos pouco aparentados. Coloquei alguns links que conectam os contos, e alguns são bastante sutis. Essa foi a forma que encontrei de dar coesão à obra enquanto coletânea de contos.

 

            EAM: eu considero esse livro como uma literatura hard de ficção, o que quer dizer que ele é um trabalho bem calcado bem complexo e equiparável ao de autores como Philip K. Dick ou Adouls Huxley. Acha que sendo autora nacional as pessoas podem dizer “não é preciso compará-la a nomes estrangeiros” ou dizer que você escreve no mesmo nível desses grandes mestres é não só um elogio como também uma forma de indicar o seu trabalho (se uma pessoa gosta do trabalho de Dick, poderá ler o seu e ter uma enorme chance de se divertir)?

Cristina: Eu agradeço a comparação e acho que preciso ainda fazer muita ginástica para ser digna de nota perto desses nomes… O Fábulas do Tempo e da Eternidade é um livro de literatura fantástica que puxa mais para a ficção científica, portanto creio que leitores que gostam de autores como Asimov, Clarke e William Gibson são o principal público-alvo. No entanto, o livro também tem um pouco de fantasia, e achei interessante que essas foram as histórias mais apreciadas por uma boa parte do público.

 

            EAM: a cena de sexo entre os personagens Asthariel e Cassandra em Caçadores de Anjos foi excelente. Foi uma boa forma descrever um método para um anjo perder a sua centelha e não ficou uma coisa explícita de se ler como um texto de Anaïs Inn. Lembro que certa vez emprestei o meu exemplar de O Chefão para uma amiga que mesmo sendo adulta e eclética, ficou impressionada com a descrição do autor nas cenas de sexo. Alguma pessoa reclamou seja por razões religiosas ou por tratar de um assunto que as pessoas ainda impõem tabus como sexo em uma antologia de contos de ficção científica?

Cristina: Que legal saber que você gostou. Hoje estamos vivendo um “boom” dos livros de fantasia, especialmente os direcionados para o público “young adult” – as fantasias juvenis – que tem como característica a “censura livre”, ou seja, romantismo adolescente e erotismo só em doses muito moderadas, pra não dizer homeopáticas. Livros nessa linha têm grande chance de entrar nos editais do governo, que são o grande filão do mercado editorial brasileiro: é por isso que as editoras estão procurando avidamente por material que se encaixe nesse modelo de literatura juvenil. Eventualmente penso em escrever algo que se enquadre nesse gênero, mas não pretendo fazer concessões para enredos que pedem uma abordagem agressiva e erótica, como é o caso dos Caçadores de Anjos. Cabe a cada autor dar à sua história as pinceladas que ela solicita e ao leitor, se informar sobre a obra que pretende consumir.

 

            EAM: muito obrigado pela sua participação. Gostaria de deixar alguma dica e/ou conselho para quem estiver lendo essa entrevista e queira um dia publicar um livro solo de contos?

Cristina: O primeiro conselho é que leia de tudo e estude muito, pois dessas coisas não há como se arrepender. E se estiver realmente decidido a ser escritor de ficção, arregace as mangas e treine bastante, persista, produza, discipline-se e procure sempre se manter informado sobre o mercado editorial.

Agradeço muito pela sua leitura e pela oportunidade da entrevista 🙂

... e ainda saiu em uma foto comigo! Uma pessoa sensacional!!!

… e ainda saiu em uma foto comigo! Uma pessoa sensacional!!!

Habilidades de Nascidos dos Deuses

por Rafael “Lionheart” N. S.

 

Com a chegada da nova coleção, além de cards novinhos para completar nossos já presentes decks/estratégias e/ou nascer novos(as) (já ouvi a cogitação de um UB Mill sendo estudado graças a um novo Deus), também contamos com mais uma parte da história, que é contada em partes pelas cartas, entre outros meios, e fora o livro (que é muito difícil de ser encontrado no Brasil, e mesmo assim, só em cópias em inglês).

 

Essa coleção volta com as já conhecidas: Devoção, Agraciar, Heroico e Vidência, além de duas novas habilidades Inspirado e Tributo.

Inspirado: pode ser desencadeado sempre que a permanente que possui essa habilidade é desvirada.

Nova carta com a habilidade de Inspirado

Nova carta com a habilidade de Inspirado

Algo importante, mas que vi muita dúvida; sim. A criatura precisa estar virada para desencadear a habilidade. Não adianta simplesmente dar um “desvire a criatura alvo” numa criatura desvirada para ativar essa habilidade.

Em relação a essa habilidade, vi muita duvida se ela vai rodar ou não.

Vidente da dor por exemplo, é uma “cópia” de uma carta (Confidente Sombrio) que fez muito sucesso na época (e faz até hoje). Mas possui o detalhe que precisa ser virado para ativar seu efeito.

Nada que um simples atacar não resolva. Mas se dependermos do atacar para virá-lo, podemos perder nossa criatura ao ser bloqueado por algo maior que ele. O que o torna meio ineficaz dependendo do que se encontra na mesa do oponente.

Fora o detalhe, que ele perde um turno a mais para desencadear a habilidade que seu “irmão”.

 

Tributo: você deixa seu oponente decidir o que é menos pior para ele, uma criatura com X marcadores (dependendo do poder de tributo) ou uma criatura com efeitos extras.

Nova carta com a habilidade de Tributo

Nova carta com a habilidade de Tributo

Fênix do Manto Flamejante, por exemplo, por quatro manas, ou o oponente se deparar com um 5/5 com voar ou com um 3/3 voar, ímpeto e que volta pra mão ao morrer.

Resta ver o quão essa nova coleção vai revolucionar os formatos, e suas principais estratégias.

 

Um bom jogo a todos.

Livro: série Artemis Fowl

Por Davi Paiva

 

Sou um leitor da “geração Harry Potter”, que acompanhou a grande explosão da literatura fantástica infanto juvenil (infelizmente de autores internacionais em maior parte) no Brasil. E é claro que nessa longa estrada da vida eu conheci muita gente que compartilhava do meu gosto literário e que por sua vez, me indicava obras similares. E sendo uma delas o outro autor do blog, JJ Posthumus, é claro que uma hora me indicaram a leitura da série Artemis Fowl (Eoin Colfer, publicado pela Galera Record). Na época os três primeiros livros da série já estavam impressos e agora que tudo acabou confesso que foi uma longa e divertida jornada de altos e baixos com uma surpresa aqui e uma risada ali.

Eoin Colfer, a mente (ardilosa) por trás da história

Eoin Colfer, a mente (ardilosa) por trás da história

Caso você não saiba do que estou falando, aqui vai um pequeno resumo: Artemis Fowl II é um garoto de doze anos e o último descendente da família Fowl, uma lendária família de criminosos da Irlanda. Um dia o seu pai resolve largar o mundo do crime e abrir uma indústria na Rússia. A máfia não gosta e explode o seu barco, deixando ao jovem a tarefa de gastar quase toda a fortuna da família procurando o pai enquanto a mãe está abalada. Com o dinheiro quase no fim o garoto tem a ideia de repor tudo com um sequestro. Mas não com uma pessoa qualquer e sim com uma fada (?). Ou se preferir, um leprechaun e exigir o seu pote de ouro como resgate (??). O que ele não contava é que a fada/leprechaun que ele sequestrou seria nada menos do que uma integrante de LEP, a Liga da Elite da Polícia do mundo das fadas, o que equivale a uma SWAT de lá (???). Dali em diante a vida de Artemis muda radicalmente e ele se vê em meio a conflitos com não-humanos e humanos às vezes como vilão, às vezes como herói e às vezes… como ele mesmo.

Aliados vão aparecendo na história além de seu mordomo Butler, um sujeito de mais de 2m de altura que quebra mão de batedores de carteira sem olhar para eles (!!!). Assim como inimigos e como eu disse, se até uma raça subterrânea aprende a temer o personagem principal… é claro que os humanos também aprendem mais cedo ou mais tarde que Artemis não pode ser subestimado.

Minha coleção dos oito volumes.

Minha coleção dos oito volumes.

Agora vamos a uma análise dos 8 livros (sei que a série possui um especial chamado Arquivo Artemis Fowl além de uma série de graphic novels. Contudo não os tenho e nem os li até o momento em que escrevo esse artigo):

 Livro 1: Artemis Fowl – O Menino Prodígio do Crime

Ano de publicação: 2001.

Resumo: no primeiro volume conhecemos o jovem, ardiloso e brilhante Artemis bem como acompanhamos o seu mirabolante crime de sequestrar a fada/leprechaun/elfo Holly Short e todos os contra-ataques da LEP rechaçados pelo seu planejamento ou a força bruta de Butler.

Avaliação pessoal: um primeiro livro excelente. Artemis não é um “escolhido” dotado de algum poder especial nem destinado a algo esplendoroso que vá salvar o mundo das forças do mal. Aqui Artemis É o mal em um ponto de vista maniqueísta e esse volume se destaca em meio a tantas obras infanto juvenis por ter tamanho diferencial.

 

            Livro 2: Artemis Fowl – Uma Aventura no Ártico

Ano de publicação: 2002.

Resumo: Artemis conseguiu o que tanto queria: confirmar que o seu pai está vivo. Mas para tirá-lo das garras da máfia, ele terá que lidar com uma rebelião no mundo das fadas.

Avaliação pessoal: depois do impacto do primeiro livro, confesso que fiquei um pouco decepcionado com esse por ser uma obra que retrata um Artemis que é obrigado a correr, pular e fugir de seus inimigos (uma prévia do que poderá ocorrer em outras obras). O que salva o livro é a lição de moral dele, bem como as situações engraçadas e os momentos que exigem o raciocínio rápido do personagem principal. Nesse livro temos a apresentação de Opala Koboi, uma duende/diabrete que será o que Voldemort foi para o pequeno bruxo de J.K. Rowling. Só que ainda mais letal.

 

Livro 3: Artemis Fowl  – O Código Eterno

Ano de publicação: 2003.

Resumo: Artemis criou um megacomputador Cubo V. E infelizmente ele caiu nas mãos de um empresário tão criminoso quanto ele. Agora ele precisa da ajuda do Povo das Fadas para recuperá-lo antes que a existência dos Elementos de Baixo (como são chamados o povo das fadas) seja revelado (algo que o computador é capaz de fazer).

Avaliação pessoal: esse livro uniu as qualidades dos dois primeiros livros e o trabalho ficou sensacional! Artemis sofre um grande golpe. Mas sua revanche é magnífica!

 

Livro 4: Artemis Fowl – A Vingança de Opala

Ano de publicação: 2006.

Resumo: Opala não só consegue escapar do presídio como também arma um plano que envolve mortes e intrigas! Cabe a Artemis & Cia. deterem os planos dela.

Avaliação pessoal: só o fato de haver a perda de um personagem tão carismático (não vou dizer qual é) já é um grande choque para os fãs da série. Maior do que a resolução do conflito entre Artemis e Opala é como o garoto recupera a memória (ele e Butler tiveram suas lembranças apagadas pelo Povo).

 

Livro 5: Artemis Fowl – A Colônia Perdida

Ano de publicação: 2007.

Resumo: nem todas as criaturas foram para o subterrâneo. Nesse livro conhecemos os demônios que colocaram a sua ilha em um espaço atemporal quando a guerra entre os humanos e os não-humanos estava pendendo para o lado dos primeiros. Artemis nota que eles estão voltando a aparecer em nosso mundo e se lança em uma empreitada contra essas criaturas.

Avaliação pessoal: creio que o grande forte desse livro foi a inclusão de novos personagens e as mudanças que ocorrem com os que já constam na história. Não digo que ele é ruim e sim um preparativo para o que está por vir…

 

Livro 6: Artemis Fowl – O Paradoxo do Tempo

Ano de publicação: 2009.

Resumo: a mãe de Artemis está morrendo e para curá-la é necessário uma enzima produzida por uma raça de lêmures extinta pelo próprio Artemis. Para salvá-la, o garoto terá que voltar no tempo e enfrentar um oponente frio e muito calculista: ele mesmo aos 10 anos.

Avaliação pessoal: incrível! Colfer não só fez um trabalho excelente falando sobre viagens no tempo como também faz uso de todas as informações nos livros e sempre surpreendendo o leitor com planos de vilões e contra planos excelentes!

 

Livro 7: Artemis Fowl – O Complexo de Atlântida

Ano de publicação: 2011.

Resumo: Artemis manifesta sintomas do Complexo de Atlântida, uma doença causada em humanos pelo seu contato com a magia do Povo das Fadas. Ao mesmo tempo um vilão causa problemas aos Elementos de Baixo e cabe ao protagonista detê-lo… ainda que abalado psicologicamente.

Avaliação pessoal: em minha humilde opinião, achei livro o mais fraco da série toda. Tudo bem que as pessoas gostam de ver um herói se reerguer, o que quer dizer que ele precisa cair. Entretanto a queda sofrida por Artemis nesse volume é decepcionante e o desfecho um pouco desagradável.

 

Livro 8 (final): Artemis Fowl – O Último Guardião

Ano de publicação: 2013

Resumo: Artemis está de volta! Infelizmente sua grande inimiga Opala Koboi também deu o seu jeito de voltar a ativa com um plano que envolve toda a destruição da raça humana libertando as almas de antigos guerreiros élficos chamados de Furiosos e o extermínio da raça humana.

Avaliação pessoal: com o desfecho para Opala, a história acaba como sempre foi: ação, aventura, humor e estratégia. Creio que os fãs mais “xiitas” podem alegar que ela poderia continuar com novos inimigos. Mas oito volumes já está de ótimo tamanho e o tal encerramento é algo digno de Artemis.

 

Como eu disse em outro artigo, aos poucos quero deixar de lado a literatura infanto juvenil até o seu próximo boom literário e nesse meio tempo, me dedicar aos clássicos de J. Verne, A. C. Doyle e outros trabalhos de autores nacionais que não escrevam no estilo que quero me ausentar. Mas assim como em A Mão Esquerda de Deus, vejo um diferencial nessa obra de um personagem que não nasce com dos extraordinários e nem é um escolhido pelo destino ou deuses a combater o mal. Ele muda o seu caráter e amadurece ao ponto de reconhecer o que é o certo, o errado e as ações do anão Palha Escavator, personagem também bastante divertido.

 

Obrigado pela leitura e espero que gostem dos livros!

Pré release – Nascidos dos Deuses

Por Rafael “Lionheart” N. S.

 

A guerra em Theros está apenas no meio, e sua saga continua em Nascidos dos Deuses (Born of the Gods), com pré release 1º e 2 de fevereiro de 2014.

 

pré release de "Born of the Gods" nos dias 01/02 e 02/02. Não percam!

pré release de “Born of the Gods” nos dias 01/02 e 02/02. Não percam!

Além da continuação da história (para quem a acompanha), temos também o lançamento da nova coleção. E para quem não quer esperar até o lançamento das novas cartas e o tão esperando evento de lançamento e pré release.

 

Em um evento de pré release, você tem a oportunidade de jogar com os cards mais novos nos seguintes formatos:

 

Deck Escalado — cada jogador recebe um Pacote de pré release de Nascidos dos Deuses para construir um deck.

 

Gigante de Duas Cabeças Selado — cada equipe de dois jogadores recebe dois Pacotes de pré release de Nascidos dos Deuses para construir seus decks (um Pacote de pré release por jogador. Os jogadores não precisam escolher a mesma cor.)

 

Cada Pacote de pré release de contém itens criados especificamente para o Caminho do Herói escolhido.

 

2 boosters de Nascidos dos Deuses;

3 boosters de Theros;

1 booster escalado;

1 card promocional;

1 cartão de atividade Domine seu Destino;

1 marcador de pontos de vida Spindown;

1 carta de boas vindas ao Caminho do Herói;

1 Card de Herói;

Para este evento, os jogadores podem utilizar no deck do torneio os cards promocionais incluídos em seus Pacotes de pré release.

Cards promos de Nascidos dos Deuses

Cards promos de Nascidos dos Deuses

Prêmios: cada Torneio de pré release de Nascidos dos Deuses incluirá boosters de Nascidos dos Deuses. Entre em contato com o organizador do torneio de pré release local para obter informações específicas sobre o evento, a taxa de inscrição e a distribuição de prêmios.

 

Além do evento principal do Torneio de pré release, algumas lojas também podem oferecer duelos abertos.

 

Duelo Aberto — Cada jogador de Duelo Aberto recebe:

1 Première Pack de Nascidos dos Deuses

 

Os participantes do Duelo Aberto usam o Première Pack para jogarem uns contra os outros, assim como contra os jogadores do torneio de pré release que estiverem esperando pela próxima partida. Todos os jogadores devem ser incentivados a ajudar os participantes do Duelo Aberto a aprender a jogar Magic.

 

Para conferir as cartas da nova coleção, basta conferir o seguinte link aqui.

Obrigado a todos(as).

Livro: O Velho e O Mar

Por Davi Paiva

 

Confesso que li este livro porque foi exigido pela faculdade. Contudo isso não o torna melhor ou pior. A experiência foi magnífica e daí a necessidade de fazer a resenha.

O autor da obra, Ernest Miller Hemingway (1899 – 1961), não poderia ser uma pessoa mais digna de nota: dono de um estilo seco com uso de sentenças curtas, teve vários relacionamentos, casou quatro vezes, foi jornalista cobrindo a Guerra Civil Espanhola e pertenceu a uma geração de escritores denominada Geração Perdida (escritores americanos que viveram na Europa. Principalmente em Paris na década de 20). E por último cometeu suicídio. Detalhe: seu pai, dois irmãos e uma neta também morreram da mesma forma.

Ernest Miller Hemingway (1899 - 1961)

Ernest Miller Hemingway (1899 – 1961)

Para quem não conhece, “O Velho e O Mar” narra a história do velho Santiago, que passa um dia inteiro tentando pescar um peixe-espada. A caçada ocorre em meio às dificuldades do pescador, monólogos e lembranças de de seu passado. Apesar de ser um romance, como ele é um texto de pouco espaços e curto tempo (todos os eventos ocorrem em três dias e três noites) eu o vejo mais como um conto.

O Velho e O Mar (ed. Bertrand Brasil)

O Velho e O Mar (ed. Bertrand Brasil)

Tudo bem que eu falando parece ser uma obra simples. Contudo um ano depois dela ser escrita em 1952, Hemingway ganhou o Pulitzer em 53 e em 54, o Nobel de Literatura (uau!!!).

Por que indico esta obra: é incrível ver como Hemingway conseguiu retratar o idoso. Eu mesmo quando li este livro, me senti o velho com as dores nas mãos e costas tentando puxar a linha e conseguia visualizar os seus fluxos de consciência lembrando do passado. Outra coisa que chama muito a atenção é o respeito de Santiago pelas pessoas como o garoto que trabalhava com ele ou de seres inanimados, como o mar:

O velho pensava sempre no mar como la mar, que é como lhe chamam em espanhol quando verdadeiramente o querem bem(…) [Os pescadores novos] ao falarem do mar dizem el mar, que é masculino. Falam do mar como um adversário, de um lugar ou mesmo de um inimigo. Entretanto o velho pescador sempre pensava no mar no feminino e como se fosse uma coisa que concedesse ou negasse grandes favores; mas se o mar praticasse selvagerias ou cruedades, era só porque não podia evitá-lo

Indicado para: quem quiser ver uma história simples e cativante de um velho pescador.

Obrigado e boa leitura!

Filme: O Hobbit – A Desolação de Smaug (avaliação crítica)

Por Davi Paiva

 

O que se esperar do segundo filme de uma trilogia norte americana?

Que ele seja melhor que o primeiro!

E se ele for baseado em um livro?

Que seja melhor que o primeiro e que seja fiel ao livro!

Cartaz do filme O Hobbit - A Desolação de Smaug

Cartaz do filme O Hobbit – A Desolação de Smaug

Sejamos francos. Essa minha linha de raciocínio não está errada. E é mais ou menos com ela que o povo foi aos cinemas assistir ao segundo filme baseada na trilogia de J.R.R. Tolkien, O Hobbit – A Desolação de Smaug (2013).

Não vou mentir: não li o livro embora conheça a sua história graças a uma graphic novel emprestada pelo outro autor deste blog, o Fernando “Oneiros”. Mas já tinha uma grande expectativa por ele graças a amigos que comentavam muito bem dele em redes sociais (mais tarde quando fui assistir ao filme Frozen, aprendi a não confiar tanto em certas opiniões…) e não me arrependi de ter ido sozinho ao Mooca Plaza Shopping assistir ao filme do jeito que mais gosto: legendado e não sendo em 3D.

O que posso dizer? Vamos ao meu velho jeito de comentar:

Roteiro: como sempre falo, criar uma história zero não é fácil. Em conversa com o Fernando ele alega que há uma gafe de que o Gandalf em O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel não sabia que Sauron havia retornado. E agora nesse filme, ele descobre. Logo… como ele pôde não saber? Será que ele terá uma amnésia no próximo filme (Lá e De Volta Outra Vez, previsto para o fim de 2014)? Além disso, o ponto em que discordamos é do ligeiro affair entre o anão Kili e a elfa Tauriel. Eu achei legal e o meu amigo não (o que rendeu uma hilária disputa de queda de braço para ver quem estava certo…).

No resto, posso dizer que esses roteiros estão cada vez mais voltados para ação e que tudo que ali ocorre é mais voltado para cativar e impressionar o público. Nada contra: fiquei impressionado mesmo…

 

Atuações: não gosto do Orlando “Legolas” Bloom e vê-lo voltando a atuar em um papel como esse é algo que deixa a desejar (podiam ter escolhido um ator melhor). Todavia a “sorte” desse ator é que ele sempre é eclipsado por outros melhores (é só assistir aos filmes Troia e Piratas do Caribe que entenderão do que estou falando…) e todos salvam a produção.

 

A atriz Evangeline Lilly, que interpreta a elfa Tauriel (inclusão de personagem não existente no livro que a meu ver, deu certo)

A atriz Evangeline Lilly, que interpreta a elfa Tauriel (inclusão de personagem não existente no livro que a meu ver, deu certo)

Cenas de ação: Legolas radical (não gosto dele atuando. Lutando é outra conversa…)! Anão em barril com atropelar! Smaug apelão! E muitos orcs matando ou sendo mortos! Nesse quesito, O Hobbit – A Desolação de Smaug merece o título de “o segundo filme é sempre bom!”

 

Trilha sonora: é uma típica orquestra ou um pouco cantiga medieval. Tudo o que é esperado de um filme norte americano sobre um mundo fantasia. O que não quer dizer que seja ruim.

 

Figurino: também não tive do que reclamar. Tudo ali pareceu dentro do cabível para um cenário de Tolkien e com qualidade.

 

Cenário: também foi bem criado e variado: campos abertos, florestas, cidades e a montanha com as suas riquezas.

 

Agora aqui abro um espaço para avaliar o personagem mais rico da ficção (por enquanto! Tenho planos de escrever um mais rico ainda…). O dragão Smaug.

Benedict Cumberbatch na produção de Smaug. Que versatilidade!!!

Benedict Cumberbatch na produção de Smaug. Que versatilidade!!!

Eu já sabia que ele havia sido dublado e interpretado graças aos sistemas de sensores pelo ator Benedict Cumberbatch, que cada vez mais se destaca pela sua versatilidade. E como eu disse antes, assistindo ao filme legendado pude apreciar melhor o tom de voz empregado.

O dragão Smaug. Mítico!!!

O dragão Smaug. Mítico!!!

Por mais que o meu primo que é dono do blog Detonerds (quem quiser conhecer, clique aqui. O garoto é novo. Vamos dar uma força a ele) não tenha gostado, dou apoio ao meu amigo Fernando que alega que aquele foi o melhor dragão já criado no cinema. E isso não ter a ver somente com tecnologia: a presença, as falas e as atitudes de Smaug fizeram dele um monstro temido pela sua inteligência e capacidade de se impor.

Concluindo: assim como em Homem Aranha 2, A Hora do Rush 2 e O Retorno da Múmia, O Hobbit – A Desolação de Smaug é um filme que eu apreciei bastante e espero que o terceiro filme seja bom (ao contrário do que a continuação de qualquer um dos que citei…). Acredito que será, pois é uma produção que a New Line Cinema tem investido pesado em elenco e em efeitos.

Vou ficar a postos para assistir ao terceiro filme. E espero que vocês que estejam lendo voltem para ver a minha resenha de Lá e De Volta Outra Vez.

 

Obrigado a todos(as).

Espada, Arco e Machado apresenta seu novo integrante – José Joaquim Valério Neto

Por Davi Paiva

 

Quando criamos o blog, já tínhamos em mente a ideia de chamarmos mais pessoas para escreverem conosco. Tivemos alguns voluntários que infelizmente nunca corresponderam às nossas expectativas por serem pouco ligados ao nosso projeto de escreveremos não só sobre coisas do mundo nerd como também coisas das quais gostamos. Alguns blogueiros queriam gerar receita com propaganda e outras coisas mais voltadas para área comercial enquanto nós temos mais interesse em criar um blog conhecido e que as pessoas gostem de ler. Depois pensamos em lucros (e isso será com bastante calma. Eu particularmente já trabalho com escrita e ter um espaço onde eu escrevo do que eu quiser e quando eu puder me dá uma sensação de liberdade).

José Joaquim Valério Neto - JJ Posthumus

José Joaquim Valério Neto – JJ Posthumus

Conhecemos o JJ já faz um bom tempo. Frequentávamos o CEU Pq. Veredas (zona leste de São Paulo) em 2004 onde o grupo dele de amigos jogava bastante o RPG Vampiro – A Máscara e simpaticamente eles tinham o apelido de “Vampiros do CEU” e recentemente tivemos uma conversa sobre a proposta de incluí-lo como autor e foi de bom grado que ele recebeu a proposta. A seguir uma entrevista que fiz com ele para vocês conhecerem-no melhor:

EAM: como se deu o seu contato com as coisas do “mundo nerd”?

JJ: Não lembro muito bem quando, mas a ascendência foi decorrente do clássico game Final Fantasy VII, no final dos anos 90. Na época não conhecia RPG nem muita nerdice, mas gostava tanto do game que quando peguei uma revista com o detonado do jogo, eu não a usava para descobrir os passos da trama, mas sim a trama em si…

Uma vez folheando a tal revista, vi que falava de vampiros. No início estava receoso com o caso, mas resolvi ler e me apaixonei pelo tema vampiro, com seus clãs, seitas e que nenhum vampiro na verdade é bom.

Meses depois eu e mais um amigo estávamos sendo voluntários em uma escola próximo a minha casa, quando fiquei sabendo que tinha um grupo de RPG que jogava lá. Conhecemos o pessoal, montamos ficha, jogamos vampiro e daí em diante as nerdices foram crescendo a cada dia e 12 anos depois estou aqui!

 

EAM: como você o mercado nos dias de hoje em todas as mídias (livros, filmes, seriados, cardgame, videogame, RPG Online, etc.)?

JJ: É um pouco complicado falar de mercado nerd, mas está cada vez mais acessível para quem quer ter acesso, falo por opinião de anos de xerox…

Mas de modo geral está indo muito bem, apesar de ainda fraco e poucas lojas especializadas…

 

            EAM: “ser nerd” até um tempo atrás era uma coisa ruim. Eu tenho a tese pessoal de que como o capitalismo tem a tendência de abraçar as massas rejeitadas para que elas adquiram produtos, ser um passou a ser uma coisa boa. Temos filmes sobre nerds, seriados, eventos e hoje temos até gente famosa que se diz ser nerd. Seja ela uma pessoa mais inserida no meio como a Mega Fox ou até um jogador de futebol como o Neymar Jr., que coloca um óculos de aro grosso com uma camisa xadrez e se diz um. O que acha dessa mudança?

JJ: No meu conceito “nerd”, não é ter um visual diferente, mas ter certo conhecimento que nós buscamos por prazer em saber.

No caso dessa nova geração, não sei nem o que falar… acho que eles querem dizer ser nerd para chamar atenção, pois agora, ser nerd “é ser descolado” (acho que é isso que se passa na cabeça oca deles…).

Não mesmo!

 

            EAM: “nerdismo” é uma coisa bem ocidental a meu ver. O que pensa sobre o primo nipônico desse movimento, que são os otakus?

JJ: considero como “nossos parentes distantes”…

Eu mesmo gosto muito de Animes e Mangás, claro em conjunto com meus nerdismo.

 

            EAM: e dentro desse universo japonês, o que acha de suas produções (animes, mangás, jogos, OVAs, filmes, etc.)?

JJ: Parte de um movimento nerd que se propaga pelo mundo.

            EAM: com o que espera contribuir no blog e como acha que ele pode retornar para você?

JJ: Não sei se posso muito, mas o meu melhor o farei. Já o que espero do blog, só o EAM pode dizer.

 

EAM: gostaria de deixar algum recado para os nossos leitores?

JJ: Mas é claro!

Espero que gostem do que está por vir, não só da minha parte, mas também dos meus amigos de longa data e donos do blog.

Espero vocês nos comentários…

 

RAIO X

Nome: José Joaquim Valério Neto

Apelido: JJ Posthumus; Dragão; Vampiro do céu…

Data de nascimento: 07/12/1986

Profissão: Desgastante agente de suporte ao site de vendas Tam.

Filmes: No geral, filmes bons, de todos os gêneros…

Seriados: Atualmente, sem tempo pra séries, mas tento acompanhar True Blood.

Livros: Fantasia, SteamPunk, RPG entre uns outros.

Jogos: Medievais, lutas, final fantasy, etc…

RPG: Não importa o sistema, mas sim a diversão. Gosto de temas medievais e vampiro, mas arrisco tudo em uma boa diversão.

Cardgame: Claaaaro que Magic the Gathering!

Mangás: Neon Genesis Evangelion, Samurai X, etc…

Animes / OVAs: Aaahh.. também não dá pra definir tudo…

Ser nerd pra você é: não tem definição pra mim como Nerd, apenas que eu sempre fui assim, e gosto de ser assim.

Livro: Trilogia A Mão Esquerda de Deus

Por Davi Paiva

 

Olá, pessoal. Tudo bem? Espero que sim.

Não vou mentir para vocês: títulos pomposos, capas “modafócas” e um pouco de “rádio leitor” vendem livros. E foram esses três fatores que me levaram a adquirir o primeiro livro da série, A Mão Esquerda de Deus (The Left Hand of the God, 2010, Paul Hoffman, Ed. Suma de Letras). Quando o adquiri, pensei três coisas a respeito dele:

  1. “Que capa animal!”
  2. “Que título bom!”
  3. “Ouvi falar que tem algo a ver com Harry Potter! Será?”

Dos três pensamentos só o primeiro provou estar errado. Eu não sei até hoje onde vi a comparação do trabalho de Hoffman com o da J.K. Rowling, mas repito: uma coisa não tem nada a ver com a outra.

O autor, Paull Hoffman

O autor, Paull Hoffman

A história do livro se passa na Terra em uma realidade alternativa onde o filho de Deus foi enforcado e não crucificado, assim como terras bem mescladas (uma hora eles estão no Mississipi, importante rio dos EUA. E em outra, na Suíça) e conta a história de Thomas Cale, um garoto que nem sabe a própria idade (14 ou 15 anos) e vive no Santuário do Redentor Enforcado onde é treinado nas artes de combate e estratégia militar com vários outros garotos. Cale é considerado um prodígio e não possui muitos amigos, mantendo diálogos com só outros dois garotos no Santuário: Kleist e Henri Embromador. Um dia Cale presenciará um fato que vai mudar a sua vida e vai obrigá-lo a sair do Santuário, onde passa a viver diversas situações.

Agora vamos a um raio X do três livros.

Livro 1: A Mão Esquerda de Deus (The Letf Hand of the God).

Ano de publicação: 2010.

Comentário pessoal: gostei. Tudo bem que comprei esse livro inicialmente pelos seus atrativos comerciais. Contudo não só é uma obra que serve como um divisor de águas para pessoas como eu que estão cansadas de ler sobre adolescentes lutando guerras contra adultos e criaturas enfrentadas originalmente por homens (pois mesmo Cale e seus amigos sendo extremamente habilidosos, lidam com os podres do mundo acumulando ganhos e perdas) como também ajuda a preparar um leitor para obras mais adultas e complexas.

 

Livro 2: As Últimas Quatro Coisas (The Last Four Things).

Ano de publicação: 2011.

Comentário pessoal: as andanças de cada personagem mostram uma grande evolução na vida de cada um e principalmente pela complexidade da personalidade de Thomas, você fica sem saber se o rumo que ele toma será aquele que o levará ao fim da história. Uma hora você crê que ele vai comandar um mega exército, outra hora ele é obrigado a montar um e bem mais para frente pega um segundo grupo, mescla com o primeiro e passa a lutar contra aqueles que o criaram! Incrível…

 

Livro 3: O Bater de Suas Asas (The Beating of His Wings)

Ano de publicação: 2013.

Comentário pessoal: gostei muito desse livro, pois nele há mais um parecer de que é preciso duas coisas para se criar uma lenda: fatos e pessoas que acreditem neles de um modo mitificado. Thomas Cale ganha um status ainda maior do que tinha em As Últimas Quatro Coisas e tudo isso sem um poder extraordinário como um Eragon ou um Percy Jackson. Apesar de suas perícias, Cale se mostra um humano perturbado e fragilizado não só pela sua criação como os atos que sofreu desde que saiu no Santuário. Os desfechos são satisfatórios e a única coisa que eu particularmente não gostei foram as notas iniciais e de encerramento como se quisessem dizer que o livro tem base em uma realidade existente.

 

Os livros da série A Mão Esquerda de Deus em ordem de lançamento e leitura.

Os livros da série A Mão Esquerda de Deus em ordem de lançamento e leitura.

Os outros autores deste blog, Fernando “Oneiros” Loiola e Rafael “Lionheart”, têm uma certa pré disposição a não ler obras de Escolhidos (os famosos “chosen one”) porque acreditam que a vida deles é sempre mais fácil, com pistas caindo do céu e que eles possuem habilidades extraordinárias que os equiparam aos seus inimigos, mais velhos e veteranos de guerra. Tudo bem que Cale possui um certo “poder” muito bacana para combates (não vou dizer qual. Mas aviso que não é nada que envolva magia). Só que diferente de muitos bruxos e semideuses por aí, ele não é uma pessoa que tem momentos de felicidade e se pode ver sorrindo em qualquer uma das três obras. O Anjo Exterminador (uma de suas alcunhas) sofre tanto fisicamente quanto psicologicamente pelo treinamento que passou e pelos traumas adquiridos em envolvimentos sociais e amorosos. Vendido pelos pais por seis centavos, treinado em combate desde criança, presenciando cenas horrendas e sendo traído pela única pessoa que amou sem em momento algum ser convencido de que era A Mão Esquerda de Deus deixou seqüelas graves em sua psique que repercutem em seu estado de saúde.

Indicado para quem: gosta de histórias sobre religião, Terras alternativas, guerras e queira fazer uma divisão do infanto juvenil para o adulto (a obra mescla as duas coisas, entre garotos e violência ou sexo não explícito).

Obrigado a todos.